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Membros do Movimento Negro protestam contra suposto ato de racismo no Torto Bar; casa já homenageou artistas negros

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Reinaldo Bessa

Uma manifestação pacífica realizada por representantes do Movimento Negro na noite de quarta-feira (5), no Torto Bar, no São Francisco, foi o segundo capítulo da confusão ocorrida na noite anterior quando uma cliente acusou o proprietário do estabelecimento de racismo. Munidos de cartazes, eles protestavam contra Arlindo Ventura, conhecido como Magrão, que assistiu calado à manifestação em meio aos manifestantes, solidários à uma jovem negra que se desentendeu com ele e o acusou de racista e de tê-la agredido com um soco no nariz. Ela promete levá-lo à justiça por crime de injúria e lesão corporal. As paredes do bar, um dos endereços cults da boemia curitibana, amanheceram pichadas nesta quinta-feira (6).

Magrão conversou com o portal logo após o episódio. Ele nega ter xingado e agredido fisicamente a jovem e de ter sido racista. “Como posso ser racista se trouxe ao meu bar Dona Ivone Lara aos 90 anos?”, lembrando o convite que fez à falecida sambista carioca quando se apresentou em Curitiba alguns anos atrás? Elza Soares foi outra que passou pelo bar, que, aliás, tem este nome em homenagem às pernas tortas do marido da cantora, o lendário craque botafoguense Mané Garrincha. “O Torto Bar tem 17 anos e só agora descobriram que sou racista?”, ironiza Magrão, sem esconder a tristeza pelo ocorrido.

o torto 2 - Membros do Movimento Negro protestam contra suposto ato de racismo no Torto Bar; casa já homenageou artistas negros
A cantora Elza Soares sendo recebida por Magrão no Torto Bar, em 2014. (Foto: Arquivo Torto Bar)

Ele conta que também recebeu a solidariedade de vizinhos do estabelecimento e de outras pessoas, inclusive de negros. Segundo Magrão, a jovem estava alterada e o agrediu atirando um copo de cerveja em sua direção e acertado um chute em sua virilha. Imagens de uma câmera do bar mostram o copo voando e sua camisa amarela ensopada. Também é possível ver nas imagens Magrão tentando apaziguar a situação. Ele diz que a moça foi contida pelo namorado.

Em 17 anos de atividades, o Torto Bar colecionou eventos musicais de relevo e algumas polêmicas por causa do grande número de público que atrai à noite e da música – geralmente brega, marca da casa – em volume alto que sai de seu interior. Por ali já passaram ídolos do passado como Odair José, Jerry Adriani e Moacyr Franco, que se apresentaram nas várias edições da Quadra Cultural promovidas por Magrão e que reuniam uma multidão no entorno do bar. Ainda em sua defesa, ele lembra que cedeu 500 ingressos para os funcionários da limpeza pública de Curitiba para assistir a um dos shows promovidos pelo bar no Teatro Guaíra, em 2016. “Onde está o racismo nisso?”, pergunta.

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O Torto Bar, um dos endereços da boemia curitibana. (Foto: Arquivo Torto Bar)

Redes sociais “inflamaram” o caso

Para Magrão, a repercussão do caso se deu em razão da força das redes sociais, rápidas em promover linchamentos morais, segundo ele. “Alguns desafetos pegaram carona no caso”, diz. Durante o protesto, a professora Ana Carolina Dartora, de 36 anos, afirmou que só quem sofre o racismo na pele sabe dizer quando acontece ou não um caso de injúria. “O racismo nem sempre vem explícito. Às vezes um olhar já nos mostra que aquele lugar não é para a gente. Só quem vive o racismo na pele tem o direito de dizer se foi injuriado ou não. Se ela diz que foi ofendida racialmente e ainda foi agredida fisicamente, é racismo sim”, disse Ana Carolina.

Lei Maria da Penha

O portal ouviu também o presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, o jornalista Saul Dorval da Silva, que esteve presente à manifestação. Ele disse que iria protocolar, ainda nesta quinta-feira (6), a denúncia de crime de injúria racial e solicitar a prisão do empresário com base na Lei Maria da Penha junto ao Ministério Público Estadual e à Secretaria de Segurança Pública do Estado. Silva disse que não conhece a jovem que acusa Magrão. Ele conta que frequentou poucas vezes o bar, reduto de jornalistas e outros boêmios. Sobre o incidente, afirma tratar-se de uma questão técnica. “Ele deveria ter chamado a polícia quando ela chutou a porta do banheiro e saiu xingando”, diz. Para ele, o crime de racismo está caracterizado “em tese” pelo fato de Magrão ter impedido a moça de entrar novamente no bar quando ela tentou voltar. Ele acha que o proprietário do Torto foi covarde ao discutir com a jovem e agredi-la com um soco, segundo relato de testemunhas.

Questionado sobre a atitude da jovem, Saul Silva foi enfático ao reafirmar que a vítima foi ela. “Não entramos em furada, em papo de adolescente”, disse. Para ele, o protesto deixou claro que a sociedade não tolera mais isso”. O Torto Bar continua atendendo normalmente, servindo o bolinho de carne, considerado um dos melhores da cidade.

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