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Coronavírus em Curitiba; suspeita de caso na Região Metropolitana leva pneumologistas a orientarem sobre prevenção

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Cíntia Mazzaro e Monique Benoski

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Suspeita de coronavírus na Região Metropolitana de Curitiba alerta os curitibanos. (Foto: Freepik)

Após a confirmação de coronavírus em um idoso de 61 anos, morador de São Paulo, o primeiro caso do Brasil, e a suspeita de um caso na Região Metropolitana de Curitiba, os curitibanos já começaram a mostrar sinais de preocupação, mesmo que o caso mais próximo da capital paranaense ainda não tenha sido confirmado. Algumas farmácias da cidade tiveram a venda de máscaras e álcool em gel intensificadas, até mesmo esgotando alguns estoques.

A doença, que teve início na China, mais especificamente na província de Wuhan, está se alastrando de forma tão rápida que alguns cuidados devem ser tomados para preveni-la. De acordo com o pneumologista João Daniel Carneiro França, da Clínica Pulmonar Curitiba, os quadros clássicos se iniciam com febre seguida de tosse seca e o doente pode apresentar fraqueza, mal-estar e dores musculares.

O médico explica que uma semana após a contaminação, os sintomas podem evoluir para falta de ar e 20% dos acometidos acabam precisando de hospitalização. França explica que o vírus raramente causa coriza, espirros, congestão nasal e dor de garganta. “80% dos casos são leves e se recuperam em casa, cerca de 14% são graves e evoluem para uma pneumonia e aproximadamente 5% são críticos e evoluem para insuficiência respiratória, choque séptico e falência múltipla dos órgãos”, numera.

Sobre o risco de morte por coronavírus, o também pneumologista da Clínica Pulmonar Curitiba, Lúcio Rasera, diz que o maior número concentra-se em pessoas acima de 60 anos e em especial aqueles com co-morbidades como portadores de doenças como enfisema, asma, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, diabetes, entre outras. E França completa afirmando que a mortalidade é de 3,5%  e que os casos em criança são raros. “Até agora nenhuma criança com menos de 9 anos morreu”, conclui.

Transmissão

França destaca que a doença pode ser transmitida de pessoa para pessoa, por meio de gotículas do nariz ou da boca, expelidas pela tosse. E também quando essas gotículas “pousam” em objetos e superfícies e outras pessoas tocam com as mãos e depois as colocam nos olhos, nariz ou boca. O médico também relata que esse novo coronavírus pode permanecer ativo por até 9 dias em superfícies metálicas e ressalta que apenas as pessoas com febre persistente e algum desconforto respiratório (falta de ar) precisam procurar um hospital.

Máscaras

De acordo com o pneumologista Áquila Carneiro, também sócio da Pulmonar Curitiba, quem não estiver com sintomas do COVID-19 – nome dado ao novo coronavírus, não deve usar máscaras. “O uso delas não é uma recomendação formal da OMS e só é crucial para os trabalhadores da área da saúde e para aquelas pessoas que cuidam de pacientes com sintomas de infecção em casa ou em instituições de saúde”, afirma.

Ainda sobre o uso das máscaras, Carneiro explica que antes de colocar, a pessoa deve higienizar as mãos com álcool ou água e sabão, depois deve cobrir a boca e o nariz e se certificar de que não há muito espaço entre o seu rosto e a máscara. Também deve-se evitar tocar a máscara enquanto a estiver usando; caso isso aconteça, deve-se lavar as mãos novamente com álcool ou água e sabão. Por fim, a retirada deve ser feita pela parte de trás e a máscara deve ser imediatamente descartada. “Não toque na parte da frente e atente-se para descartar em uma lata de lixo fechada, com tampa. Após essa etapa, lave novamente as mãos como descrito anteriormente. Não faça reuso, as máscaras são descartáveis”, alerta.

Como prevenir?

Lúcio Rasera explica que até o momento não existe um tratamento direcionado à infecção, existem apenas estudos em andamento, ainda sem resultados conclusivos. E conta que a terapia até o momento é realizada com medicamentos ditos de suporte ou sintomáticos. Porém, para garantir a prevenção, o médico listou sete dicas:

1 – Evite contato próximo com doentes.
2 – Evite tocar os olhos, o nariz e a boca sem prévia higiene com água e sabão.
3 – Permaneça em casa se estiver doente.
4 – Proteja a boca e o nariz com lenço de papel quando tossir ou espirrar e depois descarte-o (caso o faça com as mão, lave-as imediatamente).
5 – Limpe com frequência superfícies com muito contato entre diversas pessoas, como corrimãos, mesas, cadeiras, etc. A limpeza pode ser feita com desinfetante comum.
6 – Se você estiver doente ou for um profissional da saúde, use máscaras.
7 – Lave com frequência as mãos com água e sabão (palma e dorso). Álcool em gel 70% também pode ser usado.

“O contato com secreções em superfícies também é descrito como possível meio de contaminação, por isso os itens de proteção 1, 2 e 4 são os mais importantes”, conclui Rasera.

O pneumologista Áquila Carneiro também destaca algumas outras dicas de prevenção divulgadas pelo Ministério da Saúde:

1 – Lavar as mãos especialmente antes de ingerir alimentos, após utilizar transportes públicos e após visitar locais com grande fluxo de pessoas como mercados, shoppings, cinemas, teatros, aeroportos e rodoviárias.
2 – Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos e outros utensílios.
3 – Aos viajantes que se encontram no exterior:
3.1 – Evitar contato com pessoas com sintomas respiratórios.
3.2 – Evitar contato com animais (vivos ou mortos).
3.3 – Evitar o consumo de produtos de origem animal cru ou mal cozido.
3.4 – Evitar a visitação em locais com registros de transmissão de casos suspeitos ou confirmados para a infecção humana pelo coronavírus.
3.5 – Caso necessite de atendimento no serviço de saúde, informar detalhadamente o histórico de viagem e sintomas.

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Coronavírus pelo mundo

A preocupação e os cuidados com a prevenção contra o vírus são válidos. Nesta sexta-feira (28), a agência de Saúde da ONU afirmou que, além da China, outros 49 países têm casos registrados da doença. Mas segundo as avaliações da entidade, os casos em cada país são vinculados a pequenos grupos e a ONU não vê evidências de que o vírus esteja se espalhando livremente. Dos novos casos identificados em todo o mundo, 97 foram exportados do Irã e 24 da Itália – como é o caso do brasileiro infectado. Mesmo assim, a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para o maior possível o risco mundial de epidemia.

O pneumologista Áquila Carneiro afirma que até o momento não há indicação para aplicação de restrições ao tráfego internacional, porém, após a alteração dos níveis de alerta da OMS em relação ao risco global de infecção pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde passou a recomendar que viagens para a China só devem ser realizadas em casos de extrema necessidade. “É preciso verificar junto à embaixada ou sites oficiais do país de destino quais as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde locais e também sugere-se adiar a viagem se o passageiro apresentar sintomas de febre ou tosse próximos à data de embarque”, completa.

A OMS ainda avalia que o vírus está numa fase de contenção, em que a transmissão pode ser interrompida. Para isso, é preciso detectar rapidamente o surgimento de novos casos e tomar ações robustas para evitar a contaminação. Em Curitiba, desde o início do ano, cerca de 800 profissionais de saúde da rede pública e privada já receberam treinamento em relação à nova doença, com orientações e fluxo de atendimento em casos de suspeita. A Secretaria Municipal de Saúde também está acompanhando, junto ao Ministério de Saúde e autoridades internacionais da área, as atualizações constantes sobre o vírus.

O que é o coronavírus?

Os coronavírus são uma família de vírus que foram descobertos na década de 1960 e que podem causar doenças em humanos e animais (mamíferos e aves). Normalmente estes vírus causam resfriados comuns em indivíduos imunocompetentes. Em dezembro do ano passado, na província de Wuhan – na China, foi identificado este novo coronavírus, chamado de COVID-19.

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2 comentários em “Coronavírus em Curitiba; suspeita de caso na Região Metropolitana leva pneumologistas a orientarem sobre prevenção”

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