Vamos pausar as contas na quarentena? A colunista Laura Döring te ensina como

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 Laura Döring

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Algumas situações podem ser pausadas para minimizar impactos financeiros das empresas na quarentena. (Foto: Freepik)

Olá querido leitor, tudo bem? Nesse momento, você gostaria que existisse uma lacuna no tempo ou um controle remoto onde pudesse adiantar os dias, meses, até tudo isso passar? Pois é, entenda o seguinte, algumas situações podem sim ser pausadas para minimizar os impactos financeiros da sua empresa, sem precisar fechá-la para sempre. 

E se você pudesse ficar por todo esse período sem pagar seus impostos, ou então, não precisasse pagar aquele empréstimo que adquiriu para seu fluxo de caixa, entre outros gastos que continuam acontecendo em uma rotina normal? 

A principal razão pela qual uma empresa vai à falência é a falta de caixa, então agora estamos falando da vitalidade da sua empresa, cuidar da saúde de seu caixa é fundamental para que isso ocorra. Por esse motivo, vamos criar essa lacuna no tempo, de todos, ou quase todos, os gastos que pudermos congelar até a turbulência passar e então você possa voltar a gerar receita normalmente. 

A média de caixa que uma empresa tem no Brasil hoje é de 27 dias e uma quarentena de dois, três meses faz com que muitas empresas não sobrevivam. Já concordamos que para que isso não ocorra à uma empresa, é necessário ter uma reserva financeira emergencial, porém, precisamos de soluções para o momento, e já que no momento a realidade é outra, qualquer informação de suporte é valiosa. 

Relembrando o que já comentei na coluna passada: Com a crise de 2014/2015 muito desemprego deu origem à informalidade, e à pequenas empresas, que agora estavam no momento de início de estabilidade financeira. Essas empresas continuam pagando os salários e as despesas dos fornecedores, mesmo fechadas. Por quanto tempo ficarão fechadas? Ainda não temos essa resposta. Essas mesmas empresas começaram seus negócios pela necessidade de gerar renda para a família, que no momento em questão estava desamparada devido ao desemprego, e muitas delas, não tiveram o mínimo de informação, ou, formação, para gerirem seus negócios. Essa é a hora em que se faz necessário seguir certas medidas para a continuação de um mínimo de caixa, (sobrevida) e alternativas para passar por esse período. 

Por que dizer essa metáfora, “lacuna do tempo”? Pois você não vai deixar de pagar todas as suas dívidas, apenas vai adiar, nessa lacuna de tempo, que pode ser de dois, três meses, dependendo da instituição, mantendo seu contrato, sem risco de restrição de nome, ou então, incidência de juros sobre esse período. 

Existem diversos negócios e estilos de trabalhos diferentes, portanto não vou conseguir me estender a todos, porém, trarei para esse momento as informações fundamentais para que o seu negócio passe por essa fase. 

A lacuna do tempo existe, sim! Para diversas situações financeiras da sua empresa nesse momento. Fique atento e procure utilizar todos os benefícios que, tanto o governo como as instituições financeiras, estão propondo. 

Dica de ouro número um

O governo disponibilizou um site com todos os benefícios disponibilizados para empresários, profissionais informais e também pessoas físicas. Verifique quais benefícios se encaixam para você e seu negócio, usufrua da melhor forma. Importante: esses benefícios estão sendo atualizados diariamente, de acordo com as novas aprovações governamentais, fique atento! 

Dica de ouro número dois

Entre no aplicativo da instituição financeira que você possui as linhas de crédito, e procure por essa postergação da dívida, de dois, três meses, em alguns casos essa carência (lacuna do tempo) chega a seis meses. Em praticamente todos os pesquisados por mim, estão na página inicial, inclusive sugerindo para que seja feito. Isso inclui financiamentos de carro, maquinário, imóveis, empréstimos. 

Renegocie dívidas

Utilize esse tempo para pesquisar menores juros em outras instituições, ou até mesmo na própria instituição que já possui a linha de crédito, para fazer a renegociação das suas dívidas a juros menores. E eles estão, sim, muito menores. Assim, no momento em que voltar a gerar receita, terá parcelas mais baixas do que quando começou a crise, fazendo com que consiga mais fôlego até a normalização do seu negócio. 

Se você não tem linhas de crédito contratadas ainda, procure saber as que estão disponíveis para o seu negócio, pois todas estão com carência de até seis meses para o início do pagamento, ou seja, nesse caso a lacuna do tempo é ainda maior a seu favor, isso ajudará a pagar outras dívidas que não podem ser pausadas, como por exemplo, fornecedores. Se o seu fornecedor não tem a possibilidade de pausar os recebimentos nesse período, é fundamental que você utilize essas linhas de crédito, pois ele também precisa sobreviver a esse momento, ou seja, a economia, mesmo que em uma escala infinitamente menor, estará girando. 

O governo também aprovou a postergação dos pagamentos dos tributos, para pequenos e médios empresários, por dois meses, então postergue o pagamento para segurar seu caixa, mesmo que você ainda não ache necessário. 

Notícia boa em meio a tudo isso, algumas despesas como água, energia elétrica, vão cair drasticamente, entrando para a conta positiva do seu negócio. Aproveite para rever os gastos que eram feitos anteriormente, se eles não eram supérfluos, o que pode ser cortado ou diminuído, até mesmo maquinários parados, algo que nesse momento alguém possa ver como oportunidade e que vai aumentar seu fôlego. 

Seja criativo

Use a criatividade para reinventar seu negócio com produtos ou serviços que a população precisa continuar consumindo, é claro que não será algo lucrativo no momento, mas continuará gerando a receita mínima de sobrevivência. Se o seu negócio for produto, é mais fácil (ou menos difícil, no caso) encontrar um meio, com delivery. Mas se forem serviços, você pode, sim, encontrar meios de fazer a receita mínima de sobrevivência, com pacotes de benefício mútuo. O que é o benefício mutuo nesse caso? Gerar descontos futuros aos seus clientes que irão te ajudar a criar a receita mínima de sobrevivência para esse momento. 

Readéque funções a seus funcionários, seu gerente pode ser seu entregador, não existe demérito nesse momento, é tática de guerra que vai beneficiar você e seu funcionário, e tenho certeza que ele preferirá te ajudar a fazer a empresa sobreviver, à ser demitido. 

Não demita

E falando em demissões, a meu ver, devem ser a última opção para o empresário nesse momento. Tenho três principais argumentos para descrever sobre esse assunto.  

O primeiro deles é que para isso também o governo instituiu uma linha de crédito com juros de 3,75% ao ano para incentivar pequenos e médios empresários a não demitirem, e com carência para início do pagamento apenas em janeiro de 2021, de novo aparecendo aqui a lacuna do tempo.  

O segundo ponto é que quando o empregado é demitido, ele para de consumir, que não gera a receita mínima de emergência para outros empresários, como você, que também não terá, já que a economia é um ciclo. E então podemos começar a pensar no colapso econômico no caso disso acontecer.  

E o terceiro ponto é que com isso você acabará gastando mais com os custos das demissões, como pagamento de multas, fgts, e sem carência, fazendo com que desembolse o que precisa reter. Isso tudo que descrevi é fazendo um pensamento egoísta, não pensando na fome, desespero, aumento de suicídio, doenças e violência que vai gerar, e afetar toda a população. Portanto, muita consciência ao chegar nesse ponto. 

Aproveite as oportunidades

E se você faz parte do pequeno número de empresários que tem reserva suficiente para passar por esse período, utilize as oportunidades à seu favor, como por exemplo comprar o maquinário daquele empresário que precisa do fluxo de caixa emergencial, e para você sairá muito mais barato do que comprando em um período normal. 

Exemplos como incentivar outros empresários locais, achar soluções de não demitir, usar a criatividade, ou seja, pensar coletivamente, é a arma que tanto precisamos nesse momento. Nós nascemos para viver em grupo, por isso nessas horas é que vemos a necessidade do grupo para a sobrevivência, seja física, seja financeira, seja psicologicamente, e, quanto mais tivermos resiliência e soubermos utilizar nosso senso de coletividade, menos impacto todos nós teremos. Ser egoísta nesse momento gerará “efeito borboleta”, e voltará contra nós mesmos, então, em meio a tudo isso, se o egoísmo prevalecer, pense em agir coletivamente para o seu próprio bem, pois já que caráter não se muda, pelo menos se adapta.   

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Observação importante, quanto mais seguirmos as instruções da Organização Mundial da Saúde, menos tempo precisaremos permanecer fechados. Não existe divergência entre saúde e economia, elas precisam andar juntas. Essas medidas são justamente para minimizarmos impactos já vividos pelos outros países recentemente, onde negligenciaram as orientações, tiveram que voltar atrás, e agora terão impactos elevados à uma potência jamais vista na história. Sim, também teremos impactos, isso é indiscutível, porém, economicamente, essas são medidas emergenciais para diminuí-los e voltarmos o quanto antes à ativa. Do contrário teremos não quarenta dias de reclusão, e sim, três, seis meses. 

Quando isso vai passar? Vai depender da consciência de todos os envolvidos, pensando coletivamente. Essa é a chave principal para essa lacuna de tempo terminar. E como sempre eu te garanto, todos juntos, faremos a diferença! 

Um beijo, até a próxima coluna.

Laura Doring

laurapb2 150x150 - Vamos pausar as contas na quarentena? A colunista Laura Döring te ensina como

Administradora de empresas, pós graduada em vendas e marketing pela FAE, especialista em gestão comercial pela Fundação Getúlio Vargas, e neurovendas pela Esic de Madrid. Atua como especialista em consultoria financeira, previdência privada, consórcio, corretagem de seguros, agente de investimento e gestora de equipe de vendas.

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Administradora de empresas, pós graduada em vendas e marketing pela FAE, especialista em gestão comercial pela Fundação Getúlio Vargas, e neurovendas pela Esic de Madrid. Atua como especialista em consultoria financeira, previdência privada, consórcio, corretagem de seguros, agente de investimento e gestora de equipe de vendas.

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