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PolloShop encerra as atividades e a culpa não é do coronavírus

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Da Redação

Fachada PolloShop Divulgacao - PolloShop encerra as atividades e a culpa não é do coronavírus
A administração do shopping enviou um comunicado para seus lojistas para que possam se organizar e entregar suas lojas no prazo de 30 dias.

Um dos shoppings mais populares de Curitiba, o PolloShop acaba de anunciar o encerramento de suas atividades, depois de 25 anos de funcionamento. A administração do shopping de desconto enviou um comunicado aos lojistas para que possam se organizar e entregar as lojas no prazo de 30 dias. Segundo os administradores do PolloShopp, o fechamento é consequência de dificuldades econômicas enfrentadas desde 2014, quando a economia brasileira passou a sofrer uma grande retração no consumo, aliadas às mudanças do comportamento do consumidor, com a redução do fluxo nos shoppings centers e no varejo em geral, fazendo com que houvesse um grande realinhamento – para baixo – dos valores de aluguéis no país, segundo o shopping.

Outra razão para o fechamento é que os proprietários do imóvel ocupado pelo PolloShop, na Rua Camões, no Alto da XV, não só não aceitaram renegociar uma redução no valor na renovação do contrato, como ainda pediram aumento, obrigando a administração do shopping a entrar com uma ação revisional, que se arrasta há quase três anos na Justiça, também de acordo com os administradores. A direção do empreendimento diz que neste meio tempo tentou, por várias vezes, buscar entendimento para um acordo e que agora, com a crise da Covid-19, que resultou no fechamento temporário dos shoppings e na suspensão dos pagamentos por parte dos lojistas, a administração se viu impossibilitada de arcar com o alto valor do aluguel do imóvel. “Mais uma vez foi pedida a redução dos valores ou a opção para que os proprietários do imóvel assumissem a operação do shopping para preservar o interesse dos lojistas, mesmo com prejuízo dos sócios do empreendimento, porém não houve acordo”, diz o PolloShop em nota distribuída aos lojistas que chegou ao conhecimento da imprensa.

A direção do PolloShop informa ainda que fechou um acordo com os empreendedores dos shoppings Jockey Plaza, Ventura Shopping de Descontos, Shopping Cidade e Shopping Jardim das Américas para receber os lojistas que quiserem dar continuidade a suas operações com uma carência de aluguel. O PolloShop, que chegou a ter duas sedes em Curitiba, surgiu como uma solução para os pequenos comerciantes e donos de confecção enfrentar os grandes shoppings que, devido a seus custos, só permitiam a operação de grandes lojas, redes de varejo e franquias de grandes marcas. Com o crescimento do e-commerce e o novo comportamento de consumo das novas gerações, o lojista de pequeno porte foi fortemente atingido.

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O empreendimento conta com 220 lojas distribuídas nos segmentos de moda feminina, masculina e infantil, acessórios, tecnologia, produtos para casa, presentes, papelaria, brinquedos, cafés e restaurantes.

Proprietários do imóvel contestam

Marcello Martinez de Almeida, representante da família Buffara, sócia da Cia. Iguaçu, proprietária do imóvel do PolloShop, com sede no Rio de Janeiro, negou que houve recusa em baixar o valor, como alegado pela direção do shopping. Em nota enviada ao portal no início da noite desta segunda-feira (20), Almeida diz que depois da instalação da pandemia da Covid19, o proprietário do shopping entrou na Justiça com um pedido de Tutela Antecipada solicitando uma redução de 70% no valor do aluguel e teve a solicitação aceita. “Com esta decisão da Justiça, o PolloShop poderia pagar esse valor sobre o aluguel já de abril de 2020”, afirma a nota. Leia abaixo a íntegra:

COMUNICADO À IMPRENSA

Diante do comunicado distribuído em 20 de abril de 2020 pelo PolloShop sobre o encerramento de suas atividades, os proprietários do imóvel vêm a público esclarecer os seguintes fatos:

Existe de fato uma ação revisional proposta pelo PolloShop correndo na justiça há quase 3 anos. Nesta ação o PolloShop solicita uma redução de aluguel de 35% sem que tenha havido qualquer pedido de aumento de aluguel pelos proprietários. Aliás, os proprietários nunca solicitaram aumento de aluguel há mais de 20 anos, tendo neste período pleiteado tão somente os reajustes monetários normais de qualquer contrato de aluguel.

Portanto há uma divergência do valor do aluguel muito antes do evento da pandemia do Covid19.

Depois da instalação da pandemia do Covid19, o PolloShop entrou na justiça com um pedido de Tutela Antecipada, solicitando uma redução de 70% no valor do aluguel e teve sua solicitação aceita. Com esta decisão da justiça, o PolloShop poderia pagar esse valor sobre o aluguel já de abril de 2020.

Ao mesmo tempo o PolloShop propôs que os proprietários assumissem a operação do shopping CONDICIONADA a aceitação pelos proprietários de contratos de locação que não eram conhecidos e um passivo tributário de responsabilidade exclusivamente do PolloShop.

Além desses termos não serem aceitos, os proprietários deixaram bem claro para o PolloShop que aceitariam a devolução do imóvel, sem qualquer custo, e que poderiam conversar com os lojistas sobre uma eventual continuidade.

Como fica demonstrado, a decisão de encerrar as atividades foi exclusivamente do PolloShop não sendo correta a tentativa de atribuir aos proprietários alguma participação nessa decisão.

Proprietários PolloShop

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3 comentários em “PolloShop encerra as atividades e a culpa não é do coronavírus”

  1. Adriano Rodrigo Augusto

    Bom dia, Reinaldo obrigado pela matéria pois sou lojista e assim como muitos fomos pegos de surpresa, e sua matéria está muito mais esclarecedora do que as informações que recebemos da administração.
    Muitos lojista tiram a renda dali sua e de sua família , muitos fizeram investimentos a menos de 3 meses, e agora perder tudo.
    “Difícil também acreditar que os proprietários foram tão intransigentes ao mandar mais de 150 lojas ativas saírem em 30 dias desocupando seus espaços.
    Eu imagino que exista no momento oportuno pelos proprietários plano de continuidade ao shopping.
    Existe alguma coisa estranha aí no contexto desenhado pela direção do Polloshop.
    Pelo fato deles estarem desgastados com os proprietários por divergências jurídicas imagino que eles tenham perdido o canal de negociação.
    Um shopping hoje em dia no mercado imobiliário é uma “galinha dos ovos de ouro”.
    Difícil encontrar outro investimento que rentabilizar tanto.”( isso foi pontuado por outro lojista e que achei oportuno colocar)
    Enfim seria ótimo uma conversa com o proprietário para tirar algumas dúvidas nossas.

  2. Sou frequente usuária do PolloShopp Alto da Xv. Tenho um enorme carinho por ele e o conheço desde sua construção, vejo que trouxe um.enorme desenvolvimento para toda esta região do Alto da XV. Não entendo de leis, mas acredito que os lojistas poderiam se unir, formar um grupo solidário , tipo uma Associação, e negociar diretamente com os Proprietários. A lei deve ter meios para isto!

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