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Regina Duarte, quem diria, estreou no cinema com filme rodado em Curitiba durante o regime militar

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Reinaldo Bessa

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Regina Duarte estreou no cinema com o filme Lance Maior, totalmente rodado em Curitiba durante o regime militar. (Foto: Reprodução Internet)

A atriz Regina Duarte, secretária da Cultura do governo Bolsonaro, que está no centro de uma polêmica nacional desde sua entrevista à CNN Brasil, na quinta-feira (07), teve uma passagem marcante por Curitiba no final da década de 1960. Aos 21 anos, ela foi a protagonista do longa metragem Lance Maior, do cineasta catarinense então radicado em Curitiba Sylvio Back. Foi o primeiro filme da longeva carreira de Regina, que acabara de se tornar a “namoradinha do Brasil” pelos papéis românticos nas telenovelas da TV Excelsior na era pré-Globo. No longa, ela compunha o trio de protagonistas ao lado de Reginaldo Farias e Irene Stefânia, morta em 2017. Lance Maior fez um retrato da juventude na década de 1960, com um viés político e existencial.

Totalmente filmado na cidade em 1968, em pleno regime militar – período que a atual secretária parece não gostar de lembrar –, o filme conta a história de um estudante universitário, interpretado por Reginaldo Farias, que vive uma crise pessoal: ele está dividido entre se envolver na luta armada contra a ditadura militar – coisa comum à época aos que se opunham ao regime – e a carreira de bancário. O dilema se estende à vida amorosa do rapaz. Ele não consegue se decidir entre duas garotas, uma rica, mais liberal, com ideias à frente de seu tempo, e uma da periferia, trabalhadora, que tem problemas familiares. Regina faz a moça rica enquanto Irene faz a namorada pobre. O filme completou 50 anos em 2018 e ganhou uma sessão especial na Cinemateca de Curitiba, em outubro, com a presença de Back. Nenhum dos atores compareceu.

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O portal conversou com Sylvio Back sobre o filme e sobre as atuais posições de Regina Duarte. Ao ser perguntado sobre o que achou da entrevista dela à CNN, Back respondeu: “Sem palavras. Como jornalista que fui, sou totalmente a favor da liberdade de expressão. Ditadura, nunca mais”. O diretor contou que a escolheu para o papel porque achou que ela tinha o perfil ideal e que a conhecia das novelas. “Ela fazia uma socialite esnobe no filme”, diz Back. Ele conta que precisou ir a São Paulo, onde ela encenava uma peça de teatro, para convencê-la a aceitar o convite. Para ele, Lance Maior foi o melhor papel cinematográfico da carreira de Regina. O filme estreou justamente no Festival de Cinema de Brasília com grande sucesso.

O ano em que Lance Maior foi rodado, 1968, marcou o auge da repressão militar no país. Dois anos depois, surgiu a música “Pra frente Brasil”, que embora tenha sido composta para homenagear a seleção brasileira de então, acabou encampada pelo regime militar. Regina a cantarolou durante a tumultuada entrevista para escapar das perguntas políticas. Sylvio Back disse não se lembrar de manifestações políticas de Regina durante as gravações.

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