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Concessionárias de veículos driblam crise com delivery e se dão bem

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Da Redação

iStock 1193027522 - Concessionárias de veículos driblam crise com delivery e se dão bem
Delivery foi a saída encontrada pelas concessionárias para frear queda nas vendas de veículos. (Foto: Divulgação)

Até o setor automobilístico aderiu ao delivery para driblar o isolamento social e a ausência de clientes nas lojas sentindo o cheiro do carro novo. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a pandemia do novo coronavírus causou uma queda superior a 70% nas vendas de veículos no Brasil. Com apenas 55,7 mil veículos novos vendidos em abril, o mercado brasileiro registrou o pior resultado mensal para o setor desde fevereiro de 1999. O número só não foi ainda pior graças a quem se adaptou ao momento – ou já estava preparado – para vender carros on-line –, já que a maioria das lojas permaneceu fechada nas primeiras semanas de isolamento social.

De acordo com Cristiano Dantas, diretor comercial da Tecnobank, empresa de tecnologia dos segmentos bancário, financeiro e de veículos, as ferramentas que existem hoje permitem a compra virtual de um veículo do início ao fim do processo. “São soluções digitais que dão mais segurança e rapidez às operações on-line e comodidade a quem compra, já que é possível escolher, negociar, enviar a documentação para análise do financiamento, dar a entrada e até receber o veículo em casa”, afirma Dantas.

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O diretor da Le Lac Peugeot, Marcos Ramos, presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Paraná (Sincodiv-PR), cuja sigla é quase um xará da Covid, conta que o público paranaense já tem uma familiaridade boa com ferramentas digitais, o que permitiu ao segmento uma queda menos abrupta da registrada em âmbito nacional. As vendas ficaram em 45% abaixo do normal. “Já faz algum tempo que o setor vem trabalhando on-line. O cliente pesquisa e escolhe os veículos nos sites ou aplicativos, seja direto da montadora ou de alguma concessionária ou revenda. Faz toda a compra e simulação de financiamento pela internet. Só vai na loja entregar alguns documentos e pegar o veículo”, diz o empresário. De acordo com ele, desde o início da pandemia foram vários documentos de clientes que sua concessionária mandou buscar na casa dos clientes para depois entregar o carro encomendado, em formato de delivery.

Um exemplo é a professora Amandha Araújo, de 30 anos, que comprou seu Ford Ka dessa maneira. Isolada em casa, ela resolveu pesquisar pela internet. Acionou várias concessionárias, porém apenas uma delas lhe retornou. A loja fez um preço promocional e ofereceu toda a compra remotamente. Amandha conta que a negociação começou numa segunda-feira, no sofá de sua casa, e terminou na quarta, com o carro na garagem.

Mudança no perfil de consumo

As compras on-line também mudaram um pouco o perfil dos clientes. Luís Antônio Sebben, vice-presidente da Fenabrave e diretor do Grupo Slaviero, diz que vendeu mais carros de alto valor nas últimas três semanas. Foram dois Mustangs e várias caminhonetes, todos com valores acima de R$ 140 mil. As caminhonetes, que antes representavam 20% das vendas na concessionária, já chegam a 40% do volume nos últimos dois meses. “Não significa que não tivemos propostas para veículos mais populares. Mas, como a inadimplência aumentou, os bancos estão restringindo o crédito neste momento e, por isso, algumas propostas não estão sendo aprovadas. Antes da pandemia, de cada dez cadastros que mandávamos para os bancos, quase todos eram aprovados. Agora, são cerca de quatro para carros, dois para motos e cinco para caminhões. E isso prejudica, porque de 70% a 80% dos veículos são financiados, diz o executivo.

Para o diretor comercial da Tecnobank, o brasileiro se habituou rapidamente às plataformas digitais de vendas e negociações ao fazer transações de pagamentos digitais e receber praticamente tudo em delivery, até mesmo carros. “Antes da crise, estávamos vendo um movimento global de crescimento na demanda de veículos. Aí veio a pandemia. Mas, em alguns locais, onde não houve um isolamento imediato, as vendas continuaram na mesma velocidade. E onde teve, o pessoal conseguiu se reinventar pelas plataformas digitais”, analisa Cristiano Dantas.

Várias montadoras, concessionárias e revendas disponibilizaram todas as descrições e fotos possíveis dos veículos nos seus canais digitais – sites de vendas ou redes sociais. “O brasileiro teve que perder aquele costume de olhar pessoalmente o carro para comprar. Passou a aceitar comprar um carro por delivery, caso ele esteja em condições iguais ao que viu nas fotos”, ressalta Dantas.

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