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Com as viagens restritas, a colunista Daniela Barranco fala dos monumentos históricos de Curitiba

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A partir de hoje, e por um período, a arquiteta Daniela Barranco abordará em sua coluna sobre viagens os monumentos históricos de Curitiba e região. Com as viagens a lazer adiadas por um tempo, ela nos dá uma pequena aula sobre alguns dos prédios e locais históricos de Curitiba, muitos dos quais conhecemos superficialmente. Nesta primeira coluna sobre temas locais, ela conta curiosidades sobre o Paço da Liberdade, o Palacete dos Leões e a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, entre vários outros.

Monumentos históricos de Curitiba

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Paço da Liberdade, no Centro, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

Como as pessoas estão mais reclusas em casa e com uma rotina totalmente diferente, as temáticas das próximas semanas serão sobre Curitiba e destinos próximos da capital paranaense. Esse momento pode ser uma oportunidade de conectar-se com o local, com o lar e nossa cidade.

Curitiba apresenta diversos pontos de encontro, repletos de história e beleza. Nesse primeiro texto apresento algumas edificações marcantes da cidade, onde a arquitetura é destaque na rotina de suas proximidades. Confira:

Paço da Liberdade

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Paço da Liberdade, no Centro, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

Tombado pelo patrimônio histórico nacional, o Paço da Liberdade é um dos prédios ícones da capital paranaense. Iniciado em 1914, quando o prefeito de Curitiba, engenheiro civil Cândido de Abreu, autorizou ali uma construção que seria a sede do poder municipal, no antigo Largo da Cadeia, atual Praça Generoso Marques.

Prédio de arquitetura eclética, com elementos art nouveau representados, sobretudo, pelas marquises de ferro voltadas para a Praça Tiradentes, oriundos do trabalho imigrante espanhol, pelo desenho das esquadrias de madeira, esculpidas por imigrantes poloneses, e figuras externas desenhadas pelas mãos dos imigrantes italianos.

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Paço da Liberdade, no Centro, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

Os dois Hércules que sustentam as colunas da entrada do prédio representam os poderes municipais, o Legislativo e o Executivo – o nicho existente logo acima encerra a figura feminina que representa a cidade de Curitiba.
Atualmente o prédio é um polo cultural que abriga biblioteca, livraria, café, sala de cinema e sala de exposições. A iniciativa é administrada pelo Sistema Fecomércio Sesc-Senac.

Catedral de Curitiba

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Catedral de Curitiba, Praça Tiradentes, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

Localizada na Praça Tiradentes, marco zero de Curitiba, a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais foi construída entre 1876 e 1893. Seu estilo neo-gótico é encontrado nos vitrais e sua arquitetura vertical inspirada na Igreja da Sé de Barcelona. A catedral ocupa o mesmo local da antiga matriz do século 17.

Com projeto do arquiteto francês Alphonse Conde Des Plas e com possíveis alterações do italiano Luigi Pucci, ela contribuiu para difundir um sentimento de modernidade entre os habitantes da capital, sinônimo dos ideais progressistas em voga em importantes cidades brasileiras da época.

Ela abriga a imagem de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, Padroeira de Curitiba, sendo um dos mais importantes patrimônios culturais da cidade. Com sua arquitetura monumental de linhas neogóticas, se destaca na Praça Tiradentes.

Igreja do Rosário

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Igreja do Rosário, Largo da Ordem, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

Erguida por escravos e a eles destinada, a antiga construção acabou servindo de igreja matriz de Curitiba durante 18 anos, enquanto a Catedral Nossa Senhora da Luz era construída. Depois da abolição da escravatura, o santuário passou a ser conhecido como “Igreja dos Mortos”. O local era a escolha preferida da comunidade para a realização das missas de corpo presente.

Em 1946, a nova Igreja do Rosário foi inaugurada. Em estilo barroco tardio, tem a fachada em azulejos, originais da antiga capela. Em seu interior, as paredes são enfeitadas com os passos da Paixão de Cristo em azulejaria em estilo português.

Belvedere

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 Belvedere, bairro São Francisco, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

Construído entre 1912 e 1915, o prefeito Cândido de Abreu (um entusiasta “Art Nouveau”) decidiu fazer do Belvedere não apenas um mirante, mas uma obra digna de contemplação para que a população pudesse admirar o horizonte curitibano e para dar utilidade e novos ares ao espaço.

O Palácio Belvedere é reconhecido pela qualidade de seus elementos arquitetônicos típicos, como os desenhos de suas portas, janelas e todos os elementos da edificação. Um prédio que guarda a história curitibana e mantém a principal característica: a vista privilegiada da cidade.

Palácio Garibaldi

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Palácio Garibaldi, Largo da Ordem, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

A sede da Sociedade Garibaldi, na Praça Garibaldi, foi projetada por Ernesto Guaita, engenheiro e agente consular da Itália. Assinada pelo arquiteto João de Mio e finalizada somente em 1932, sua fachada de estilo neoclássico destaca os arcos e as janelas ornamentadas, que dão o ar de palacete ao imóvel. Sede da Associação Giuseppe Garibaldi, o espaço mantém viva a cultura dos imigrantes italianos na capital e é outro belo exemplar da escola eclética curitibana.

Palacete dos Leões

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Palacete dos Leões, bairro Alto da Glória, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

O Palacete dos Leões, inaugurado em 1902, é testemunho de um período de grande prosperidade no Paraná e é uma verdadeira vitrine da arquitetura eclética. O ciclo da erva-mate, chamada “ouro verde”, impulsionava a economia, enquanto Curitiba ganhava contornos urbanos e ares de modernidade.

Construído para servir de residência da família de Agostinho Ermelino de Leão Júnior, o projeto de estilo eclético e aspectos renascentistas e barrocos, foi assinado pelo engenheiro Cândido Ferreira de Abreu, que viria a ser prefeito de Curitiba.

A fachada do casarão traz elementos art nouveau e do Renascimento, demarcada por pilastras, portas em arco pleno, ornamentos como capiteis e as cabeças de leões. A imponência da edificação é garantida pelo tamanho do imóvel e também pelo pavimento inferior, espécie de porão que serve de suporte para o piso nobre. Atualmente, o Palacete é mantido e preservado pelo BRDE, que transformou o local num espaço cultural.

Edificio Marumby

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Edifício Marumby, bairro São Francisco, Curitiba. (Foto: acervo pessoal)

O prédio icônico da cidade é de autoria do engenheiro/arquiteto Romeu Paulo da Costa, um dos mestres da arquitetura do movimento modernista em Curitiba. O edifício, inaugurado em 1948, carrega referências do arquiteto do período em que morou na França. Era o final do estilo art deco e começo do modernismo, quando o destaque eram as linhas retas e sem ornamentos na edificação.

Batizada em homenagem ao conjunto de montanhas Marumbi, este prédio tinha a ambição de ser o mais alto da cidade e o primeiro dedicado exclusivamente para uso residencial — exceto pelas áreas do térreo, que são comerciais.

Herança de um período de instabilidade internacional, o projeto original conta com um abrigo aéreo, um bunker, para o caso de a Alemanha vencer a guerra e bombardear o Brasil. Um pioneiro do estilo arquitetônico modernista que marcou a paisagem curitibana.

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Curitiba é uma verdadeira vitrine quando o assunto é arquitetura eclética. Casas, solares e palacetes centenários preservados mantêm vivo o estilo que marcou as edificações erguidas entre o final do século 19 e início do século 20 na capital.

Conhecer a arquitetura das construções de Curitiba é descobrir a nossa própria história. Pois a arquitetura está em toda a cidade, onde moramos, onde trabalhamos, nos lugares que frequentamos, ela é o cenário de nossas vidas.

Já que não dá para viajar para nenhum lugar do mundo neste momento, fica meu convite para viajar por nossa própria cidade.

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