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Conheça a história dos prédios históricos e monumentos de Curitiba na coluna de Dani Barranco

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Na última coluna sobre viagens, a arquiteta Daniela Barranco começou a abordar os monumentos históricos de Curitiba e região. Como as viagens a lazer estão adiadas por um tempo, ela fala sobre alguns dos prédios e locais históricos de Curitiba, muitos dos quais conhecemos superficialmente. Nesta segunda coluna sobre temas locais, ela conta curiosidades sobre o Teatro Guaíra, a Ópera de Arame, a Universidade Federal do Paraná e o Museu Oscar Niemeyer, entre vários outros.

Prédios históricos e monumentos de Curitiba

No último texto, iniciei uma viagem por Curitiba em que contei a história e arquitetura de alguns casarões e igrejas da cidade. Destacando a pluralidade e um pouco do estilo eclético e marcante da capital paranaense.

Esse é o segundo texto dessa viagem local maravilhosa. A curadoria foi difícil diante de tantas edificações de significado tão importante, então tentei pontuar alguns dos lugares mais conhecidos pelos turistas, desvendando a sua história.
Selecionei parques, construções públicas e monumentos, obras que fazem parte da criação de nossa cidade e de nossa identidade cultural.

Teatro Guaíra

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Teatro Guaíra, Curitiba. (Foto: Acervo Pessoal)

A atual construção do prédio do Teatro Guaíra foi iniciada em 1952 e concluída em 1974. A escolha do projeto arquitetônico do teatro foi realizada por meio de um concurso em que o vencedor foi o engenheiro Rubens Meister – um dos precursores da arquitetura moderna no Paraná e um dos responsáveis pela implantação do curso de Arquitetura na UFPR.

O Guaíra é um dos maiores e mais importantes teatros da América Latina. Possui três auditórios: o Bento Munhoz da Rocha (2.173 lugares), Salvador de Ferrante/Guairinha (504 lugares) e o mini auditório Glauco Flores de Sá Brito (113 lugares). As escadas helicoidais do saguão de entrada, por não possuírem apoio central, são elementos marcantes da construção na época. Além disso, o desenho das rampas laterais e a altura entre cada degrau da escadaria foram uma preocupação pioneira com a acessibilidade.

Com vista e acústica perfeitas, os auditórios não precisaram ser construídos em formato de concha, como normalmente se deu com as grandes salas de concertos da época. Em sua fachada foi produzido um painel frontal, em alto relevo, pelo artista curitibano Poty Lazzarotto.

Universidade Federal do Paraná

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Universidade Federal do Paraná, Curitiba. (Foto: Acervo Pessoal)

O ano de 1913 marcou o início das movimentações para a construção de uma sede capaz de abrigar as perspectivas de crescimento da recém-criada Universidade Federal do Paraná. Em um ato arriscado e de coragem, Nilo Cairo e Victor Ferreira do Amaral assinaram o contrato do projeto idealizado pelo arquiteto Baeta de Faria.

Palácio da Luz era a forma inicial de se chamar o Prédio Histórico da UFPR, a maior construção da cidade na época, em 1926. Obra que abrigaria a mais antiga universidade do país, representava para a sociedade paranaense a aquisição de valores perenes: credibilidade, eficiência, desenvolvimento e progresso. O projeto foi baseado em elementos neoclássicos observados em grandes teatros e construções de outras capitais na época.

Palácio Iguaçú

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Palácio Iguaçu, Curitiba. (Foto: Acervo Pessoal)

Inaugurada em 1954, a sede do governo paranaense foi construída para superar um complexo de inferioridade do Paraná diante de outros estados. Tornando-se o primeiro Centro Cívico criado no Brasil.

Inspirada nos “civic centers” americanos, a ideia saiu do papel a partir do início dos anos 50, quando o engenheiro civil Bento Munhoz da Rocha Netto assumiu o governo do Paraná.

Considerado um símbolo da integração e da modernização cultural do Paraná, o projeto do arquiteto carioca David Azambuja é considerado um dos grandes marcos da escola modernista em todo o Brasil.

Além da sede do Poder Executivo estadual, a região reúne um importante conjunto arquitetônico, formado por prédios da Assembleia Legislativa do Paraná, do Tribunal de Justiça do Paraná e a Prefeitura de Curitiba. No centro das edificações está a Praça Nossa Senhora de Salete.

Museu Oscar Niemeyer

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Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. (Foto: Acervo Pessoal)

A história deste museu começou em 1967, quando foi construído o prédio principal, projeto de Oscar Niemeyer. A construção serviu como Instituto Nacional, batizado de Edifício Pres. Humberto de Alencar Castelo Branco. Uma edificação totalmente estruturada a partir de linhas retas, vãos livres, balanços, fachadas cegas e iluminação zenital, que 23 anos mais tarde transformava-se em um museu.
Em 2002 foi inaugurada a obra anexa, 23 mil m² de construção tornaram-se o Museu Oscar Niemeyer, conhecido como Museu do Olho, criando uma nova identidade ao espaço e a toda região do Centro Cívico.

O segundo edifício projetado por Oscar Niemeyer causa a impressão do formato de um olho, mas na verdade o conceito de sua forma foi baseado a partir das curvas da mulher brasileira, mais precisamente no movimento de seu quadril.

A forma é de uma moça fazendo ginástica rítmica com fita. A parte amarela é o corpo da mulher e o anexo o vazio entre os braços abertos e a fita. Uma obra com traços, formas e conceitos muito específicos. Uma estrutura magnífica que mostra as possibilidades do concreto e da criação desafiadora de um mestre.

Ópera de Arame

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Ópera de Arame, Curitiba. (Foto: Acervo Pessoal)

Seu nome deriva do estilo construtivo, feito de tubos de aço e estruturas metálicas, coberto com placas transparentes de policarbonato, lembrando a fragilidade de uma construção em arame.

De forma circular, a edificação é quase toda cercada por um lago artificial, de maneira que o acesso ao auditório é feito por uma passarela sobre as águas. O projeto é do arquiteto e meu professor na faculdade Domingos Bongestabs. A ideia era de projetar um edifício transparente, que fosse capaz de trazer o lado de fora para dentro, como se a decoração das paredes fosse a própria natureza ao redor. Seguindo os preceitos da arquitetura vernacular, a vocação do prédio é estar integrado ao espaço e não parecer estranho a ele.

Por incrível que pareça, a Ópera de Arame foi construída em somente 75 dias. Um espaço que pode abrigar 1.572 espectadores e que ocupa uma área de 4.000 m². Sua inauguração ocorreu em 1992 durante o Festival de Teatro de Curitiba com o espetáculo maravilhoso “Sonho de uma noite de verão”, de Shakespeare.

Universidade Livre do Meio Ambiente

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Universidade Livre do Meio Ambiente, Curitiba. (Foto: Acervo Pessoal)

O Bosque Zaninelli foi criado a partir de uma área verde regenerada naturalmente após ter sido utilizada para a exploração de granito, em 1947. O que originou um grande paredão de pedra e os lagos.

Obra do arquiteto Domingos Bongestabs e inaugurada pelo oceanógrafo Jacques Cousteau, esta edificação de 874 m² tem um aspecto marcante que se reflete na sua forma original. Uma construção de troncos de eucalipto e vidro que ressalta a estrutura de madeira que chega a 15 metros de altura. A rampa helicoidal possibilita uma imersão na natureza, junto ao auditório ao ar livre próximo ao lago do bosque. Um dos destaques da construção é o mirante de 25 metros de altura.

A Universidade Livre do Meio Ambiente fez de Curitiba a primeira cidade do mundo a manter um espaço de estudos e repasse de conhecimentos sobre meio ambiente e ecologia à população. Aqui, tudo toca os sentidos e convida a refletir sobre nossa relação com a natureza no presente e no futuro.

Jardim Botânico

O projeto de Abrão Assad, de estilo art-noveau, é constituído por inúmeras estufas de vidro e com um visual inspirado em um Palácio de Cristal de Londres, do século 19. Foi inaugurado em 1991, com uma área de 245 mil m². Batizado oficialmente como Jardim Botânico Francisca Rischbieter, a escolha foi feita em homenagem à urbanista de mesmo nome, conhecida pelo seu trabalho ímpar no planejamento urbano de nossa cidade.

Seus jardins geométricos e a estufa de três abóbadas tornaram-se um dos principais cartões postais de Curitiba. Das duas estufas existentes, a principal é de estrutura metálica e vidro, que conserva exemplares vegetais de diferentes lugares do mundo, como por exemplo espécies da Floresta Atlântica, mantidas seguras em estufas climatizadas, e um bosque de mata atlântica. A outra estufa é restrita à pesquisa botânica.

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Memorial Árabe

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Memorial Árabe, Curitiba. (Foto: Acervo Pessoal)

O Memorial Árabe, uma homenagem aos muitos imigrantes libaneses que vieram para Curitiba, foi inaugurado em 1996 e é uma obra do engenheiro Kamal Curi.

De estilo mourisco, sua forma é um cubo grená de aproximadamente 140m² inserido em um espelho d’água, contando com abóboda, arcos, vitrais e colunas. O Memorial é uma forma ao estilo Kaaba – que quer dizer “Nobre Cubo”, que é a construção da mesquita sagrada em Meca.

No seu interior há uma escultura de Gibran Khalil Gibran, poeta, filósofo, pintor e escritor libanês de grande expressão mundial. Atualmente funciona como o Farol do Saber que abriga um café, uma biblioteca com capacidade para 10 mil volumes e uma pinacoteca.

Curitiba tem mais de 30 parques e bosques, além dos inúmeros prédios históricos, museus e memoriais que contam a nossa história e ajudam a preservar nossas memórias. Memórias formadas com a ajuda de muitos imigrantes que aqui chegaram e fizeram morada.

Conhecer nossa cidade é conhecer um pouco mais a nós mesmos e as memórias que nos formam.

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