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Psol lança candidata trans à prefeitura de Curitiba

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Julio Cesar Lima, especial para o portal Reinaldo Bessa

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A psicanalista e economista Letícia Lanz será a primeira candidata transgênero à prefeitura de Curitiba. (Foto: Divulgação)

A psicanalista, economista e mestre em Sociologia, Letícia Lanz, 68 anos, é pré-candidata à prefeitura de Curitiba pelo Psol. Primeira mulher transgênera a disputar o cargo, Letícia quer maior participação social e visibilidade para todos os segmentos da população. Em sua opinião, Curitiba é uma das melhores cidades para se viver, mas precisa incluir todos os seus moradores: “Os serviços funcionam, temos parques, uma cidade que dá orgulho, mas existe a ausência da coletividade. Sem ela, a cidade do futuro não vai existir. O objetivo é dar qualidade de vida para toda a população com justiça social, solidariedade e sustentabilidade”, comenta.

“Essa coletividade deve incluir todos da sociedade, negros, índios, deficientes físicos, idosos, todas as pessoas”, diz. Casada há 43 anos com a psicóloga Ângela Dourado, Letícia tem dois filhos, uma filha, três netos e duas netas. Para ela, a família e principalmente os netos são a inspiração para muitas ações. “Tenho cinco netos que me inspiram e vejo como será o mundo deles se não fizermos nada: sem água, super aquecido, a coletividade está sendo desprezada, o que é uma visão muito obtusa, afinal, somos peças de um todo”, analisa.

Letícia (nascida Geraldo Eustáquio de Souza) fez a cirurgia de mudança de sexo aos 50 anos, após sofrer um enfarte – provocado, segundo ela, por sufocar algo mais forte – e com três décadas de casamento. Rejeita rótulos – “quem gosta de rótulo é garrafa” – e já tentou uma cadeira na Câmara Federal, em 2014. “Fiz 1.500 votos, mas foi um número expressivo se levarmos em conta a falta de estrutura”, diz.

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Sobre os dias atuais, Letícia, que é mineira de Belo Horizonte radicada em Curitiba, lamenta que a desinformação esteja ganhando cada vez mais terreno frente à informação. “Há uma desinformação enorme, nunca se imaginou isso em relação à informação. Isso acontece quando uma opinião supera anos de pesquisas. Para algumas pessoas a ciência é absurda, acreditam apenas nos grupos deles”, avalia.

Ela também critica a forma com que grupos tentam impor suas ideias e diz que a política é “conversar”. “Sigo uma linha humanitária, não estamos mais acostumadas a falar e não haveria política se não fosse dessa maneira. Tem que se acreditar na via política, com diálogo e conversa. Venho de Minas Gerais, onde a tradição política é a da conversa, ao redor do fogão, não de forma autoritária e bélica e política é a arte de juntar essas controvérsias”, afirma.

Autora de diversos livros, Letícia publicou “O Corpo da Roupa”, uma adaptação da sua dissertação de mestrado e primeira obra publicada sobre Estudos Transgêneros no Brasil. Também publicou “Eu, Comigo, Aqui e Agora” (8ª edição), “Muito Prazer em Me Conhecer” (6ª edição) e “Os Segredos de Crescimento Pessoal Mais Bem Guardados do Mundo”. Letícia Lanz terá como vice Giana De Marco, advogada, militante feminista e ativista dos direitos LGBTQIA+. Antes de ter seu nome confirmado, porém, venceu a disputa interna na legenda contra o jornalista e ativista Diego Xavier, que chegou a ser anunciado como pré-candidato do Psol.

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