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Empresa de Curitiba cria tinta que inativa o coronavírus; projeto teve apoio do governo do estado

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Tempo de leitura: 4 minutos

Da Redação

A tinta foi desenvolvida em Curitiba por técnicos da Renner Coatings. (Foto: Agência Estadual de Notícias)

O governo do estado informou na manhã desta quinta-feira (07) que se uniu à iniciativa privada para encontrar uma solução tecnológica para ajudar no combate à pandemia da Covid-19. A parceria resultou numa tinta de parede que consegue inativar o novo coronavírus em 99,999%. O produto da empresa Renner Herrmann, de Curitiba, chamado Polidura Epóxi Higiene Total Geração Anti Viral, já está à venda no comércio em galões de 3,6 litros. A empresa, especializada na produção de pigmentos para paredes e produtos derivados, foi uma das dez classificadas no edital Saúde Tech, promovido no fim do ano passado pelo governo por meio da Fundação Araucária em parceria com o Senai no Paraná. O chamamento público disponibilizou no total R$ 1,4 milhão, divididos igualitariamente, para acelerar o desenvolvimento de produtos e tecnologias voltados exclusivamente para o combate ao vírus.

A tinta desenvolvida em Curitiba por técnicos da Renner Coatings, braço do grupo Renner Herrmann S.A., voltado a soluções de alto desempenho, com apoio do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica. Uma das desenvolvedoras do pigmento antiviral, a pesquisadora do Senai Alana Cristine Pellanda, explica que o projeto começou em outubro passado. O produto chegou ao mercado no começo deste ano e custa em torno de R$ 440 o galão com 3,6 litros. Funciona exatamente como uma tinta convencional, inclusive com o mesmo tempo de secagem após a aplicação.

A pesquisadora destaca que a tinta foi desenvolvida com foco em hospitais e locais com grande circulação de pessoas, como as áreas comuns de condomínios, por exemplo. Mas, reforça, pode ser usada também em residências. “A pigmentação tem autonomia para se ligar aos vírus, incluindo o coronavírus. Se alguém contaminado espirra ou tosse, e o vírus adere àquela superfície, a tinta consegue inativá-lo. Quem tiver contato com a parede não será contaminado”, garante Alana.

Ela ressalta que os ensaios seguiram as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e metodologias internacionais para medição da atividade antiviral. Foi testado o vírus coronavírus cepa MHV3, gênero Betacoronavírus (mesmo gênero e família dos SARS-CoV-1, SARS-CoV-2/Covid-19, MERS).

A testagem foi realizada no Laboratório de Virologia Aplicada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que comprovou que o produto apresenta excelentes resultados de efetividade antiviral. “Atingiu porcentuais de inativação ou redução da atividade do novo coronavírus de 99,999%”, conta a pesquisadora. “Ou seja, se alguém encostar em uma superfície pintada com essa tinta, tem 99,999% de chances de não ser contaminado”.

Ela destaca, contudo, que a pessoa não fica completamente protegida por estar em um ambiente que usou a tintura. Apenas quem tiver contato com a superfície pintada é que poderá não ser contaminado pelo vírus. “Há outras formas de se passar a doença, como o contato pessoal, por exemplo”, lembra Alana.

Nova geração

O diretor-geral da Renner Coatings, Luiz André Ortiz, diz que o processo foi facilitado pelo fato de a empresa já ter em seu portfólio uma tinta com características semelhantes. “Nossa equipe técnica buscou alternativas que combatessem o vírus da Covid-19 nas diversas superfícies com que temos contato diariamente. Como já tínhamos dentro de nossa linha uma tinta com função bactericida e à base d’água, vimos a oportunidade de desenvolver uma nova geração com a propriedade antiviral”, explica Ortiz.

O chamamento público recebeu ao todo 76 propostas de empresas interessadas em acelerar ideias e soluções que já estão ambientadas em teste para ajudar a sociedade diante da pandemia. Foram selecionados dez projetos de cinco cidades do Paraná. Além de Curitiba, o Saúde Tech contemplou ações de Campo Magro, Ponta Grossa, Londrina e Maringá. Pelo governo do estado participam do processo a Superintendência de Inovação da Casa Civil, a Fundação Araucária e a Superintendência da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

“Podemos dizer que no caso do Saúde Tech, o estado atuou como um anjo. Pegou o projeto em estágio inicial, acelerou e fez com que chegasse mais rapidamente à sociedade”, diz o superintendente de Inovação, Henrique Domakoski.

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O edital também atendeu um compromisso de aproximação do setor produtivo com as universidades e a administração pública, por meio de investimentos diretos e de cooperação. “A determinação era clara, para que as instituições se organizassem para ajudar no enfrentamento desta pandemia. Temos dentro do nosso sistema cerca de 20 mil doutores espalhados por sete universidades estaduais e duas federais. Estudantes e pesquisadores com vontade de ajudar. Posso dizer que o Saúde Tech foi sem dúvida muito exitoso”, afirma o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa.

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