DESKTOP

Abrasel revela que 90% dos bares e restaurantes do país não pagarão contas em abril

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp

Da Redação

bares-e-restaurantes
De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná, mais de 90% dos estabelecimentos confirmaram dificuldade para pagar salários em abril. (Foto: Divulgação/Food Magazine)

Os mais de 300 mil restaurantes fechados definitivamente no Brasil ao longo do ano passado somados aos 35 mil encerrados apenas no primeiro trimestre deste ano estão na análise publicada nesta terça-feira (13) nas redes sociais da diretoria paranaense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Paraná (Abrasel). Mais de 90% dos estabelecimentos confirmaram dificuldade para pagar salários em abril. Como agravante, empresários reclamam da demora da Caixa, principal banco emissor do Pronampe, para adesão à prorrogação da carência dos empréstimos.

O presidente da Abrasel Paraná, Nelson Goulart, confirmou que o setor de serviços é o mais atingido. “De longe, é o setor mais atingido. Além de não receber dinheiro a fundo perdido, como acontece com as empresas de onibus, nós estamos sem nenhuma ajuda. A sociedade não tem visto nossas dificuldades. A situação é terminal”, pontou ele.

Os fechamentos impostos por estados e municípios em fevereiro e março emparedaram bares e restaurantes. De um lado, o faturamento caiu ou até mesmo zerou. De outro, as dívidas acumuladas em 2020 têm de ser pagas. Com isso, a esmagadora maioria se vê em situação crítica, sem ter como honrar dívidas e com enorme dificuldade até mesmo para pagar funcionários. É o que aponta a mais recente pesquisa da Abrasel, realizada entre os dias 1° e 5 de abril, com mais de 2 mil respostas de empresários do setor de alimentação fora do lar em todo o Brasil.

Goulart segue pessimista e diz que a sociedade precisa saber a situação real do setor. “Nós ficamos fechados durante todo mês de março e em nosso setor isso significa que nenhum dinheiro entrou. Se não pode abrir o restaurante como vai pagar IPTU, aluguel, água, luz e salários dos funcionários? Faz mais de um ano que estamos nessa luta. A maioria não tem capital de giro, acabou com todas as economias da poupança e não tem de onde tirar porque não temos direito a taxas especiais em empréstimos nos bancos”, diz.

Nada menos do que 91% dos entrevistados na pesquisa feita pela Abrasel disseram enfrentar problemas para pagar os salários de abril – sendo que 76% já tiveram dificuldades para pagar a folha de março. Além disso, 73% tiveram de demitir empregados nos três primeiros meses do ano. Isso é resultado direto do faturamento baixo (82% trabalharam no prejuízo em março) e do alto endividamento: 76% dos entrevistados têm algum tipo de pagamento em atraso, principalmente impostos, aluguéis e fornecedores – 70% destes estão com parcelas do Simples vencidas.

“Quando você demite um funcionário sem justa causa, paga multa de 40% sobre o valor total da rescisão. Mas nesse caso, estamos demitindo não por nossa vontade, mas porque não temos mais dinheiro para pagar as nossas próprias contas e isso a justiça não vê’, explica Gourlart. Ele conta que a entidade que representa a categoria em todo o Brasil busca a possibilidade de parcelamento dessas demissões em dez vezes, baseando-se na medida que permitia esse tipo de negociação.

Porém, enquanto as negociações não avançam, a Abrasel estima que a demora para a reedição desse dispositivo contribuiu fortemente para o encerramento definitivo de mais 35 mil empresas do setor de alimentação fora do lar, de dezembro até o momento, o que teria impactado cerca de 100 mil postos de trabalho.

Setor de eventos parado

Outro setor bastante ressentido com a pandemia é o de eventos. Tudo parou e mesmo as atividades realizadas dentro das normas de segurança e padrões estabelecidos via online e diversão na modalidade drive-thru, por exemplo, não são suficientes para dar conta de tantas pessoas que ficaram sem nenhuma renda. “Como se reinventar, passando para outro ramo de uma hora para outra? Falar é fácil. Quando tudo isso acabar as pessoas vão voltar a sair e precisar dos bares e restaurantes, que têm uma função social gigantesca nos dias de hoje. Ninguém mais se reúne na praça, o restaurante e o bar são lugares que agregam, que fazem as pessoas desligarem um pouco desse mundo cada vez mais digital”, diz Nelson Goulart.

“Nós vamos precisar de reparação. Nem usamos a palavra ajuda, porque fomos proibidos de abrir por decreto, enquanto outros segmentos funcionaram livremente”, afirma o empresário, dono do restaurante rural Pasárgada, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba.

LEIA TAMBÉM:

Uma das questões que agravam a situação do setor de bares e restaurantes se refere à demora para a prorrogação do prazo de carência do Pronampe, a principal linha de crédito para micro e pequenas empresas. A prorrogação por três meses já foi aprovada pelo governo federal, no entanto, os bancos têm autonomia para aderir ou não à decisão. Uma das maiores críticas dos empresários é que a Caixa Econômica Federal, instituição financeira ligada ao governo, e a maior na concessão de empréstimos pelo programa – responsável por cerca de 41,5% do valor total emitido – ainda não liberou as prorrogações.

Dos estabelecimentos que solicitaram empréstimo pelo Pronampe, 80% declaram não ter prorrogado o vencimento das parcelas – sendo que, destes, 55% alegam ter tentado mas receberam negativa do banco por estarem fora dos requisitos do decreto de prorrogação ou pelos dos próprios bancos, apesar da determinação do governo federal. “É muito urgente resolver a questão do crédito. Fomos impedidos de trabalhar, portanto, o mínimo esperado é a prorrogação da carência e que se destravem novas linhas. Nosso levantamento aponta que 77% dos empresários pretendem contratar novo empréstimo do Pronampe caso o programa seja reaberto”, afirmou o presidente da Abrasel-PR.

Siga-nos no Instagram para ficar sempre por dentro das notícias:

Veja Também

blank

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

blank
X