Ao explicar novo decreto, secretária diz que Saúde não é inimiga da economia

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Simone Giacometti

A coletiva aconteceu no formato online. (Foto: Portal Reinaldo Bessa)

A prefeitura de Curitiba apresentou em uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (28) a justificativa para o retorno à Bandeira Vermelha na capital. De acordo com os dados mostrados pelos integrantes do Comitê de Técnica e Ética Médica, a sobrecarga no sistema de saúde, dificuldades para a reposição de medicamentos e o aumento no número de casos ativos na capital, que está em 10.000, foram decisivos para a adoção de medidas mais restritivas.

A secretária de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, iniciou a conversa com os jornalistas falando que o momento é de união. Segundo ela, o único inimigo é o vírus. Márcia Huçulak reforçou que o diálogo com os comerciantes está em andamento para a busca de soluções. “A saúde não é inimiga da economia”, disse ela.

O médico infectologista Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, também falou sobre a necessidade de união. Segundo ele, é essencial que os jovens mantenham os cuidados, pois mesmo assintomáticos, transmitem a doença. Segundo ele, “este não é o momento de discutir se a saúde é contra a economia, isso não existe. O comerciante precisa aguentar mais um pouco, nessas duas semanas. Provavelmente, essa seja a última Bandeira Vermelha”, disse ele.

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O presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná, Flaviano Ventorim, falou sobre a importância do transporte público para o setor. De acordo com ele, mais de 40 mil profissionais da saúde trabalham em Curitiba e 70% deles dependem dos ônibus porque moram na região metropolitana. “Eu acredito que parar os ônibus de uma só vez não é a solução, pois essas pessoas precisam ir ao trabalho, com segurança”, falou.

Outro ponto abordado durante a coletiva foi a questão das cirurgias eletivas, que estão suspensas. Os traumas leves foram retirados dos pronto-socorros pela maioria dos hospitais. Apenas os procedimentos emergenciais continuam sendo feitos, por causa dos medicamentos, como anestésicos e outros remédios necessários para a intubação dos pacientes. “Estamos com um novo perfil de pacientes. Os doentes são mais jovens e ficam mais tempo ocupando os leitos de UTI. Por causa da vacinação nas pessoas mais velhas, a faixa etária de quem está contraindo o vírus baixou”, confirmou Márcia Huçulak.

Os integrantes do Comitê de Técnica e Ética Médica pediram que a sociedade dê sequência aos cuidados preventivos. As novas cepas que estão circulando mudaram as orientações médicas. “Nós não temos bola de cristal, não temos como saber como estaremos daqui a 10 dias. Esse decreto municipal não é uma garantia de que os números vão baixar. O que aprendemos nesses 15 meses é que cada momento da pandemia tem as suas especificidades e não é possível fazer previsões para mais de duas semanas. Dependendo da adesão da região metropolitana e do comportamento das pessoas, haverá necessidade de prorrogar o decreto”, disse Marion Burger, médica infectologista da Secretaria Municipal de Saúde.

Geci Labres, diretor do Hospital do Trabalhador, finalizou a participação no encontro com a imprensa lembrando que não existem leitos de UTI disponíveis na capital. “Todos os hospitais estão no limite máximo, os profissionais de saúde estão esgotados e se a população não se conscientizar, nós vamos continuar anunciando mais mortes causadas pela Covid-19, infelizmente”, enfatizou.

“Nós teremos ainda muitas sequelas dessa pandemia, que não são econômicas. Temos mortes de pessoas jovens, pais e mães que estão deixando os filhos órfãos, isso é muito triste e não tem volta. Eu faço esse último apelo ao setor econômico, que apoiem essas medidas, acredito que seja o último esforço”, pediu a secretária de Saúde Márcia Huçulak, ao se despedir.

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