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Curitiba tem 15.000 casos ativos da nova cepa do coronavírus e ocupação de 97% das UTIs neste sábado

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Simone Giacometti

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Neste sábado a taxa de ocupação dos 465 leitos de UTI SUS exclusivos para Covid-19 está em 97%. (Foto: Pedro Ribas/SMCS)

Em coletiva realizada neste sábado (13) a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba atualizou os números da Covid-19 na capital. De acordo com Beatriz Battistella Nadas, superintendente executiva da secretaria, as informações são preocupantes. Curitiba está com 15.000 doentes ativos que testaram positivo para o coronavírus. Essa nova cepa do vírus que está em circulação é muito mais contagiosa e evolui rapidamente para internamento com necessidade de ventilação mecânica, acometendo pacientes mais jovens.

Flaviano Ventorim, presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná confirmou que 97% das UTIs estão ocupadas neste sábado e que 98% dos leitos de enfermaria destinados exclusivamente à doença, estão cheios, o que representa quase o limite da capacidade de atendimento. Segundo ele, na rede particular de saúde os números de ocupação são semelhantes. “Estamos chegando ao limite de esgotamento das equipes e não formamos médicos intensivistas e profissionais aptos a trabalharem em uma UTI Covid da noite para o dia. Existem técnicas para intubação, procedimentos muito específicos para determinadas situações de emergência que uma pessoa que trabalha em outro setor do hospital, não aprende de uma hora para outra. Nossos profissionais também tem família e todos estão cansados, com a saúde mental em risco. Os profissionais que se contaminam precisam ser afastados e substituídos e esse remanejamento é diário e bastante complexo”, relatou ele.

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Curitiba registrou nesta sexta-feira (12) 34 óbitos, conforme boletim da Secretaria Municipal da Saúde. Vinte dessas mortes aconteceram nos últimos dois dias. Entre os mortos, está uma pessoa que não tinha fatores de risco para complicações da Covid-19. Flávia Quadros, superintendente de Gestão da Secretaria Municipal de Saúde, afirma que essa é uma nova realidade enfrentada pelas equipes e fez um apelo para que a população siga as medidas de isolamento que estão no Decreto publicado na noite desta sexta-feira (12). “Antes os caos não evoluíam tão rápido para o estado grave. Agora em dois ou três dias os pacientes já precisam ser internados e ir para o respirador. Estamos lutando contra o tempo. Todos os novos leitos abertos nas UPAS transformadas em hospitais para atender pacientes Covid, já estão ocupados. Os 50 respiradores que compramos, já estão sendo usados. Se não frearmos a velocidade de transmissão dessa nova cepa, nosso sistema vai entrar em colapso”, alertou ela.

Todos os investimentos feitos na última semana, teoricamente deveriam atender a demanda, mas se mostraram apenas emergenciais. “Se esses 15.000 doentes ativos não ficarem isolados em suas casas, teremos uma contaminação que pode levar milhares às portas dos hospitais. Antes as projeções para que isso acontecesse eram de duas semanas. Por exemplo, tivemos o Natal e a expectativa de que os efeitos das aglomerações e festas de famílias aparecessem em até duas semanas. No carnaval ainda estávamos com essa mesma expectativa, de que as pessoas contaminadas passassem a manifestar sintomas em até 15 dias após o contágio. Agora não. Em dois ou três dias, as pessoas já estão ficando doentes e evoluem para quadros graves com necessidade de internamento. E como são pacientes mais jovens, com mais potencial de resistência ao vírus, ocupam por mais tempo os leitos de UTIs, diminuindo nossa capacidade de receber novos pacientes”, explicou Beatriz Battistella Nadas

Os três gestores da saúde foram unânimes ao apelar conscientização e reforço nos cuidados para evitar a transmissão da doença. Por mais investimentos em novos leitos e contratação de equipes que possam ser feitas, nada vai mudar se a circulação do vírus continuar nessa velocidade.

Cenário de guerra

Um estudo realizado por especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o mesmo que previu o caos no sistema de saúde de Manaus, faz um diagnóstico semelhante para Curitiba. Caso as medidas restritivas não sejam cumpridas, Curitiba pode finalizar o mês de março e início de abril com Curitiba com a trágica progressão de até 100 mortes diárias. “A inviabilidade do retorno presencial ou híbrido para Curitiba neste momento é respaldada pelo modelo SEIR, onde estima-se que este retorno iria acelerar a transmissão da Covid 19, colocando em risco de infecção mais de 500 mil pessoas”, descreve a Nota Técnica.

A nota traz ainda a informação de que “A nova variante do SARS-CoV-2, denominada P.1, e que teve origem na região Amazônica, já foi registrada no município de Curitiba agravando ainda mais a situação da pandemia, uma vez que se sabe que a P.1 é duas vezes mais transmissível , e cuja carga viral presente no organismo dos infectados é cerca de dez vezes maior que a carga viral em pacientes infectados pela linhagem do SARS-CoV-2 que deu início a pandemia de COVID-19 no Brasil em 202012”.

Outro ponto destacado no estudo aponta o risco de insistir no modelo híbrido de educação. “O reconhecimento de que a retomada das aulas presenciais em Manaus foi o gatilho que desencadeou a segunda onda de COVID-19 no município, foi consenso entre cientistas e o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho. Este procurador relatou ainda que a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas reconheceu tal retorno como o gatilho gerador da segunda onda de COVID-19 na cidade. A terrível experiência de Manaus deixa clara a inviabilidade de retorno presencial ou híbrida quando o município ainda está em estado de transmissão comunitária”.

Leia a Nota Técnica emitida na íntegra neste link.

Cemitérios fechados para visitação

Com a mudança de bandeira na cidade de Curitiba, que aumenta o nível de alerta de risco de transmissão do novo coronavírus, cemitérios municipais voltam a fechar para visitação a partir deste sábado (13). O atendimento no Serviço Funerário Municipal segue sem interrupção, conforme determina o decreto 565/2021. O telefone é (41) 3350 5766.

Permanecem fechados enquanto durar a vigência da bandeira vermelha os portões dos cemitérios municipais São Francisco de Paula, Água Verde, Santa Cândida, Boqueirão e Zona Sul.

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