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Daniela Barranco mostra belezas e atrações de Barcelona em sua primeira coluna de 2021

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Daniela Barranco

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Paisagem de Barcelona, na Espanha. (Foto: Acervo pessoal)

Capital da Catalunha, Barcelona é uma cidade litorânea que exibe beleza, arquitetura renomada, atrações culturais e um estilo de vida ensolarado por natureza. Aqui a combinação do antigo com o novo ganhou um resultado que torna a atmosfera da cidade apaixonante.

Houve uma época em que Barcelona desprezava suas maiores obras de arquitetura, a cidade só deixou sua marca com a primeira edição da Feira Mundial de Barcelona, em 1888, quando seus maiores arquitetos apresentaram o modernismo catalão para o mundo. Nesta época, nenhuma grande obra de Gaudi havia sido concluída e o Templo Expiatório da Sagrada Família apenas iniciava sua construção. Depois da feira o Modernismo floresceu por mais de duas décadas com a construção da Casa Batló, La Pedreira, Palau de la Música e outras grandes obras.

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A arquiteta Daniela Barranco, em Barcelona. (Foto: Acervo pessoal)

Mais recentemente, a virada do século trouxe uma nova onda de arquitetura contemporânea que combina o regionalismo espanhol com novas tecnologias. Hoje, Barcelona oferece uma quantidade impressionante de edifícios modernos e fascinantes que mudaram radicalmente a paisagem urbana de Barcelona. Para citar apenas alguns: Norman Foster, Santiago Calatrava, Jean Nouvel e Richard Rogers, vale destacar também os arquitetos locais Enric Miralles e Ricard Bofill. Esse time incrível têm atuado em Barcelona nas últimas duas décadas.

Nesse primeiro texto do ano vou destacar as obras de Gaudi e o Modernismo catalão, confira:

Casa Vicens

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A arquiteta Daniela Barranco, em Barcelona, na Casa Vicens, Projeto Antoni Gaudí. (Foto: Acervo pessoal)

O primeiro edifício residência de Gaudí e também um dos primeiros edifícios Art Nouveau do mundo. A Casa Vicens é um marca na história da cidade e na carreira do arquiteto. Construída entre 1883 e 1888, a Casa Vicens é um projeto residencial imaginativo feito para uma família rica que possuía uma fábrica de cerâmica. Da formação profissional do cliente, Gaudí se inspirou utilizando revestimentos cerâmicos na fachada, que contem uma variedade de cores e formas do material, combinando elementos do design oriental com o neoclássico. Encontramos nesta obra também influências da arquitetura islâmica no projeto.

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A Casa Vicens, Projeto Antoni Gaudí. (Foto: Acervo pessoal)

O que impressiona na Casa Vicens é que a edificação mostra como Gaudí rompeu com a tradição e criou sua própria linguagem de arquitetura. Representa um novo capítulo em sua carreira, bem como na história da arquitetura catalã. Este é o início da grande fase da “arquitetura Gaudí”.

Casa Batlló

Gaudí era um inimigo declarado da linha reta, por isso seus projetos são desenvolvidos com formas e linhas orgânicas. Construída em 1906, a Casa Batlló é um dos projetos mais conhecidos do mestre. Acredita-se que a fachada representa a história da luta de São Jordi contra um dragão. Os estranhos pilares semelhantes a ossos que sustentam as varandas são os ossos da presa do dragão, e o telhado ondulado é seu dorso escamoso, enquanto a cruz bulbosa, projetando-se do topo do edifício, simboliza a lança de São Jordi.

Grande parte da fachada é decorada com um mosaico colorido, conhecido como trencadís, feito de ladrilhos de cerâmica quebrados. O arquiteto alterou completamente a fachada, redistribuiu as divisórias interiores, ampliou o pátio de luzes e tornou seu interior uma obra autêntica de arte. Além do valor artístico, a obra possui uma enorme funcionalidade, o projeto já conta com elementos precursores das vanguardas arquitetônicas dos últimos anos.

Seu estilo incorpora muito do que define o Art Nouveau. Gaudí explora espaços, padrões e cores fluidas nesse edifício, projetado para o barão Josep Batlló, como um abrupto contraste às rígidas formas do entorno.

Casa Milá

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Casa Milá, Projeto Antoni Gaudí. (Foto: Acervo pessoal)

Encantado com o trabalho de Antoni Gaudí com o projeto da Casa Batlló, o rico empresário Pere Milà contratou o arquiteto para criar um novo prédio de apartamentos no Passeio de Gràcia, em Barcelona.

Também conhecida como “a pedreira” devido à sua aparência rústica incomum, a Casa Milá é um dos edifícios modernistas mais populares de Barcelona. A UNESCO reconheceu este edifício como Patrimônio Mundial, em 1984.

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A arquiteta Daniela Barranco, na Casa Milá, Projeto Antoni Gaudí. (Foto: Acervo pessoal)

Construído entre 1906 e 1912, este não é apenas o último projeto residencial privado de Gaudí, mas também um marco na cidade. A fachada é uma massa variada e harmoniosa de pedra ondulante que, juntamente com as suas varandas de ferro forjado, explora as irregularidades do mundo natural.

Todo o edifício é digno de admiração, mas um dos seus espaços mais emblemáticos é o seu espetacular terraço. Nele, você verá uma série de claraboias esculpidas, saídas de escadas, chaminés e aberturas. Normalmente, esses são elementos desagradáveis ​​necessários para a funcionalidade do edifício, mas aqui eles são uma obra de arte. Do subsolo ao terraço, a Casa Mila é uma obra de arte total.

Sagrada Família

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Interior do Templo da Sagrada Família, em Barcelona. (Foto: Acervo pessoal)

O enorme Templo da Sagrada Família, que domina o horizonte da cidade, é a obra-prima de Gaudí, a própria definição de sua arquitetura, embora tenha polarizado opiniões desde sua criação, há mais de um século.

Apesar da Sagrada Família estar totalmente associada a Gaudí, ele não foi seu arquiteto original. Sua construção começou em 1882, pelo arquiteto Francisco de Paula del Villar, mas em 1883 Villar renunciou, dando a Gaudí a oportunidade de assumir o cargo de arquiteto-chefe.

Com sua própria linguagem de design, Gaudí transformou o projeto de uma típica catedral na obra-prima que conhecemos hoje. Ele combinou o gótico com formas curvilíneas de Art Nouveau e seu próprio estilo geométrico.

Gaudí dedicou o resto de sua vida ao projeto. Na verdade, ele viveu na oficina da Sagrada Família por vários meses, até sua morte prematura.

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Templo da Sagrada Família, em Barcelona. (Foto: Acervo pessoal)

No momento de sua morte, menos de um quarto do projeto estava concluído. Gaudí morreu aos 73 anos, em 1926, quando foi atropelado por um bonde. Ele está enterrado na cripta da Sagrada Família.

Após a sua morte, a construção progrediu lentamente e foi interrompida várias vezes por eventos como a Guerra Civil Espanhola e revolucionários destruindo parcialmente os planos originais de Gaudí, entre outros.

Embora a construção esteja agora em um ritmo mais rápido, várias torres ainda precisam ser concluídas, cada uma simbolizando uma importante figura bíblica do Novo Testamento. A torre central é a mais alta de todas, representando Jesus Cristo. Deve ser encimada por uma cruz gigante, atingindo uma altura de 170 metros.

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Templo da Sagrada Família, em Barcelona. (Foto: Acervo pessoal)

A igreja apresenta uma excelente representação da relação entre homem, natureza e religião através de sua arquitetura e esculturas de fachada, criando uma representação visual das crenças cristãs. A forma como a luz banha e brinca com o espaço interior com vários matizes de cores é um dos aspectos mais impressionantes deste edifício.

Seu projeto utiliza formas tridimensionais de superfícies regradas, incluindo hiperboloides, parábolas, helicoides e conoides. Estas formas complexas permitem uma estrutura delgada, mais fina com a capacidade de melhorar a acústica e qualidade da luz do templo. Gaudí utilizou modelos de gesso para desenvolver o projeto, incluindo uma maquete em escala 1:10 da nave principal medindo cinco metros de altura, com dois metros de largura por dois de profundidade. Ele também desenvolveu um sistema de cordas e pesos suspensos a partir de uma planta do templo no teto. A partir deste modelo invertido, ele derivou os ângulos necessários das colunas, abóbadas e arcos.

Gerações de artesãos e arquitetos têm contado com os desenhos restantes e maquetes de gesso para fazer avançar o projeto, seguindo à visão de Gaudí. Como resultado, o projeto do templo é uma colaboração abrangendo séculos. O próprio Gaudí via o projeto como um trabalho coletivo de gerações. “Vou envelhecer, mas outros virão depois de mim. O que deve ser sempre conservado é o espírito do trabalho, mas sua vida deve depender das gerações que é transmitido para e com quem ele vive e é encarnado.”, revela o arquiteto.

Parc Güell

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Parc Güell, Projeto Antoni Gaudí. (Foto: Acervo pessoal)

O Parc Güell foi encomendado a Gaudí por um de seus maiores clientes, o conde de Güell, que desejava construir um parque elegante para a aristocracia da cidade.

Neste projeto são utilizadas colunas curvadas de pedra, bem como tijolos locais para preservar o sentimento natural da paisagem. Gaudí mescla seu estilo extravagante à natureza para conseguir estruturas que se erguem do chão como árvores, mas ainda assim são identificáveis como elementos construídos. A simultânea adaptação e respeito pela natureza são uma das mais belas características desse projeto.

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A arquiteta Daniela Barranco, no Parc Güell, Projeto Antoni Gaudí. (Foto: Acervo pessoal)

A maior atração do Parque Güell é o terraço com vista à cidade de Barcelona e o banco curvo fluindo em torno dele, que apesar de ser rígido, apresenta um conforto notável. Mosaicos, cacos de cerâmica e balaustradas de ferro são utilizados para criar este espaço. Durante todo o projeto são encontradas cerâmicas coloridas, assim como mosaicos e tratamentos de superfície. A arquitetura elegantemente acomoda as qualidades da paisagem existente, tornando-se uma extensão da própria.

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Na entrada do parque encontra-se a Casa-Museu de Gaudí, que foi sua casa por quase 20 anos, que abriga uma notável coleção de moveis e objetos projetados pelo arquiteto.

Parc de la Ciutadella

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Parc de la Ciutadella, Projeto Antoni Gaudí. (Foto: Acervo pessoal)

Por último, mas não menos importante, é um dos primeiros projetos de Gaudí – a fonte localizada no Parc de la Ciutadella, um dos parques mais famosos de Barcelona. A Cascada foi projetada por Josep Fontseré em 1881, especificamente para a exposição universal de 1888, tendo o jovem Gaudí como assistente.

A inspiração para a Cascada foi a famosa Fontana di Trevi, em Roma na Itália. A fonte conta com diversas esculturas de cavalos e criaturas míticas. Entre essas esculturas está também a de Vênus em um molusco aberto – projetada por Venanci Vallmitjana.

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Parc de la Ciutadella, Projeto Antoni Gaudí. (Foto: Acervo pessoal)

Muitas são as atrações dessa belíssima cidade, a vida noturna, os cafés, seus restaurantes, parques e praia. Mesmo me atendo ao tema da arquitetura eu poderia me estender por uma infinidade de lugares apaixonantes e ricos em cultura, arte, tecnologia e estilo de vida.
Deixo um gostinho de querer mais e me sinto honrada em poder falar um pouco do grande mestre que tornou esta cidade única, pois em nenhum outro lugar do mundo você encontrara obra de arte igual.

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