Em visita a Curitiba, Temer diz que aceitaria ser 3ª via somente em caso de uma conjunção nacional a seu favor

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Reinaldo Bessa

O ex-presidente Michel Temer ladeado pelos advogados Rodrigo Gaião (à esq.) e Gustavo Guedes na sede do escritório Bonini Guedes e Gaião Advogados – BGA, no Centro Cívico. (Fotos: Gerson Lima)

O ex-presidente Michel Temer esteve em Araucária na manhã desta terça-feira (3), onde deu uma palestra sobre Reformas Constitucionais e o atual momento político brasileiro para 14 prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba, vereadores e empresários da região. Em seguida, ele veio a Curitiba para receber a comenda da Ordem da Luz dos Pinhais, que lhe foi entregue pelo prefeito Rafael Greca em cerimônia na prefeitura. Em seguida, Temer almoçou no Palácio Iguaçu, a convite do governador Ratinho Jr., com a presença de outras autoridades paranaenses, entre elas o vice-governador Darci Piana.

O ex-presidente Michel Temer com o governador Ratinho Jr. no Palácio Iguaçu, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, o vice-governador Darci Piana, o chefe da Casa Civil, Guto Silva, e os advogados Gustavo Guedes e Rodrigo Gaião. (Fotos: Gerson Lima)

Após o almoço, o ex-presidente foi conhecer, a convite dos advogados Gustavo Guedes e Rodrigo Gaião, a nova sede do escritório Bonini Guedes e Gaião Advogados – BGA, no Centro Cívico. Guedes é responsável por coordenar as defesas de Temer nos processos a que responde, além de ter organizado a visita dele ao Paraná. Antes de ir embora, o ex-presidente deu uma entrevista coletiva, no próprio escritório. Depois de atender a imprensa, Temer concedeu uma rápida entrevista exclusiva ao jornalista Reinaldo Bessa. Confira os principais trechos.

Qual é a análise que o senho faz do atual momento do país?

Temer: O momento político antecipou um pouco o fenômeno eleitoral, as eleições, a meu modo de ver talvez inadequadamente. Eu sei que é muito natural que surjam candidaturas, mas não deve surgir campanha eleitoral porque nós estamos ainda no ciclo da pandemia, primeiro ponto. Segundo ponto: com o ciclo, com o fruto da pandemia e de outras ações, também aumentou muito a miserabilidade, que é um grau abaixo da pobreza. Por isso que eu digo que vidas famintas também importam. Não se pode ignorar a miserabilidade que existe no país. A emenda constitucional do teto de gastos não só estabelece uma responsabilidade fiscal porque você não pode acrescentar a cada novo orçamento a inflação do ano anterior. Mas tem uma válvula de escape para atender a miserabilidade, que é a hipótese em que no caso de calamidade pública permite-se a utilização de créditos extraordinários e não há dúvida que a pandemia foi uma pandemia e está tendo consequências na chamada miserabilidade. Então, penso eu, não se deve desprezar a ideia de que ainda seja possível utilizar créditos extraordinários para atender os mais vulneráveis.

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Sem furar o teto de gastos?

Sem furar o teto porque com isto você não elimina o teto e ao mesmo tempo atende os vulneráveis.

Mas há clima para isso ainda neste mandato do presidente Bolsonaro?

Eu sei que hoje, por exemplo, estão votando aquela questão dos precatórios porque há o fundamento de que se aprovasse a extensão de prazo para o pagamento de precatórios teria dinheiro para pagar o Auxílio Brasil. Mas o fato, vou insistir nesse ponto, é que já tem solução dada pela própria Emenda Constitucional do Teto que permite ao presidente os créditos extraordinários.

Qual é a possibilidade de o senhor vir a ser a chamada terceira via na eleição do ano que vem?

Eu lhe confesso que isso não está no meu horizonte. Eu já fiz tudo que podia fazer nas várias vezes que presidi a Câmara dos Deputados, nas várias vezes que fui secretário de estado e procurador geral do estado em São Paulo, vice-presidente e presidente da República. Não está neste momento no meu horizonte. A não ser que houvesse uma conjunção nacional, o que não vai acontecer, que dissesse: ele é a solução. Mas fora daí, apresentar nomes só por apresentar nomes, eu não farei.

Mas o senhor admite que é visto como tal?

Só nessa hipótese extrema, digamos assim, de uma conjunção. Estou dizendo, é uma mera hipótese. Jamais se transformará em tese, de uma conjunção nacional que dissesse só ele pode exercer essa função.

E quanto a vir a ser o vice do presidente Bolsonaro?

Não penso nisso, não. Não tenho a menor pretensão nisso.

E aqui no Paraná, o senhor almoçou o com o governador Ratinho Jr. hoje e ele também já está em tratativas para formar a chapa às eleições do ano que vem. O MDB pode compor a vice dele?

O que eu percebi foi o seguinte: o almoço foi com o governador e com boa parte do MDB aqui do Paraná. Eu vejo que eles têm uma aliança. Como se dará a aliança, se vai ocupar a vice-governadoria ou Senatoria, isso vai depender das condições locais e lá para a frente, mas não há dúvida, pelo que pude perceber aqui hoje, que o MDB daqui vai acompanhar a eventual reeleição do governador Ratinho.

E o ex-ministro Sergio Moro, que é um nome aqui do Paraná e que se filiará ao Podemos agora no dia 10. Como o senhor vê a possível candidatura dele a presidente?

É mais uma candidatura, né? Vai entrar naquele núcleo dos chamados eventuais ocupantes da terceira via. Que a essa altura, digo eu, são muitos, né? São muitos candidatos, eu não se se vai conseguir ao final afunilar para ter uma única candidatura, né?

O senhor acha que hoje caminha-se para a manutenção dessa polarização Bolsonaro-Lula?

Eu acho que os chamados pré-candidatos, pelo jeito, estão se transformando em candidatos. Talvez tenha na chamada coluna do meio muitas candidaturas ao invés de uma só, como se pensava no passado.

Com ou sem Michel Temer?

Diga que eu respondi com sorrisos.

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