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Empresas de TI escaparam da crise devido à busca por inovação e mais tecnologia

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Da Redação

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João Paulo Zerek e Filipe Gevaerd, CFO e CEO da Gebit Software, e sua equipe de desenvolvedores em home office, agora para sempre. (Foto: Divulgação)

Nem todos os setores da economia estão sofrendo com a pandemia. Para muitas empresas, 2020 iniciou um processo desafiador e um bom número delas focou na redução de custos e simplificação de processos para uma maior eficiência e menores perdas, tendo que inovar e investir em tecnologia às pressas. Ainda não há dados oficiais sobre o impacto para as companhias de Tecnologia da Informação, mas é certo que esta tendência exigiu muito do setor TI, gerando uma procura maior do que o normal em algumas áreas, como desenvolvimento de sistemas e aplicativos. Em Curitiba, empresas registraram crescimento muito acima do esperado para um ano de pandemia, com o desenvolvimento de soluções para diversos segmentos.

Para o vice-presidente da Assespro-PR, Adriano Krzyuy, a maior parte das empresas de TI cresceu durante a pandemia, mas ele ressalta que algumas foram impactadas negativamente porque ofertavam serviços para áreas que foram prejudicadas, como turismo e gastronomia – aqueles que não foram para o sistema delivery. Antes de qualquer sinal de pandemia, a estimativa para o segmento era de um crescimento de 20% em 2020, segundo previsões da Advance Consulting, com base em uma pesquisa com 4,5 mil empresas brasileiras de TI ao longo de 2019. Mas tem empresa que viu esse índice ser facilmente superado em pouco tempo.

Em Curitiba, a Gebit Software extrapolou todas as expectativas de mercado em 2020 ao registrar um crescimento de 77,74%, muito acima da média prevista. Em pleno ano de crise na economia, a empresa somou R$ 2,3 milhões em faturamento, frente ao R$ 1,3 milhão em 2019 – que já havia sido de forte alta (71,93%) em relação ao ano anterior. Para 2021, a perspectiva da Gebit é crescer mais 50% em faturamento.

Para o CEO, Filipe Gevaerd, todo o trabalho de aprimoramento de processos realizado nos últimos cinco anos foi essencial para a empresa se manter no mercado e em forte crescimento. “Estávamos muito bem preparados para atender a essa demanda crescente no nosso setor. Mas obviamente não podíamos prever uma crise dessa proporção. Porém, conseguimos aproveitar as oportunidades que ela nos trouxe”. Uma das soluções desenvolvidas pela Gebit para um cliente foi o app OnLive, inicialmente exclusivo para streaming de lives, que estouraram nas plataformas digitais a partir de março de 2020, como opção de entretenimento durante a quarentena. Em um primeiro momento, a plataforma foi pensada para dar aos artistas uma possibilidade de continuar mostrando sua arte e talento ao seu público, cobrando por conteúdo. Mas o negócio evoluiu e abriu para profissionais de outras áreas de conhecimento, como a gastronômica, fitness, religiosa, empresarial, entre outras, para oferecer cursos, treinamentos e etc, conta o diretor executivo da OnLive, André Bertolucci. “Percebemos que era uma plataforma com tecnologia para recomeços e novas oportunidades”, diz. Em apenas dois meses o app estava com a primeira versão no ar e mais de 200 conteúdos disponíveis.

Bertolucci estima uma receita de R$ 6 milhões para a Onlive neste primeiro ano. “Para isso, prevemos movimentar de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões, com venda de produtos, serviços e conteúdo digital”, afirma. A comercialização de produtos é o que movimenta a segunda fase do projeto, que será relançado ainda em março, com aposta no mercado de shopstreaming. Esta é uma tendência mundial, explorada há oito anos pelo Alibaba e há menos de um pela Amazon, como um dos efeitos da pandemia. “É o conceito do infomercial, como faz há anos o canal de vendas Shoptime, com a diferença de que é uma live, com um chat e uma vitrine de produtos na tela”, explica Bertolucci.

Soluções inteligentes para a nova realidade

Especializada em nuvem, cloud computing e Amazon Web Services (AWS), a Cloudster chegou a perder 20% dos negócios no primeiro semestre de 2020, mas não somente recuperou o índice a partir de junho passado, como cresceu mais 40%, fechando o ano com acréscimo de 60% nos negócios. Em faturamento, o resultado representa R$ 1,7 milhão – 41,67% a mais do que em 2019 (R$ 1,2 milhão). “Um crescimento absurdo. Hoje temos em média cinco propostas ao dia”, comemora o CEO da Cloudster, Ricardo Zucolotto.

A perspectiva para este ano é ultrapassar os R$ 2 milhões em faturamento, com projetos de expansão de negócios e mudança na filosofia de serviços. “Vamos buscar soluções alinhadas com essa nova realidade. Muita empresa está precisando digitalizar massivamente para atender à demanda de pessoas que não querem mais voltar para o escritório”, diz Zucolotto. Com 8 colaboradores, a Cloudster estima contratar mais 11 pessoas e duplicar este número em 2022.

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Com foco em soluções para o mercado de food service, a ACOM Sistemas contou com a solução do seu software de gestão para bares e restaurantes, o ERP EVEREST, para contornar a crise. Um deles foi o restaurante japonês Jun Sakamoto, de São Paulo, que se reinventou após 20 anos no mercado, ao render-se ao delivery. Outro case de sucesso foi do Grupo Rubaiyat – com restaurantes no Brasil, Chile, Argentina e Espanha –, que precisou investir em mais tecnologia ao ver seu sistema de delivery entrar em colapso com tantos pedidos.

A solução foi fundamental para a ACOM Sistemas retomar o crescimento a partir do segundo semestre do ano passado, sem precisar reduzir o quadro de funcionários. Para este ano, a expectativa é crescer 15%, estima o CCO, Eduardo Ferreira. “Em 2020, tivemos um ano bastante desafiador. Conseguimos performar bem, com vendas superiores às de 2019. Batemos as metas de contratos novos e número de clientes novos na base, um aumento de 15% superior ao ano passado.”

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