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Jornalista que atuou em Curitiba fala de seus encontros com Pierre Cardin, morto nesta semana

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A jornalista Ana Clara Garmendia, que há anos vive em Paris, onde cobre o mundo da moda, escreveu um artigo especial para o portal sobre a morte do estilista Pierre Cardin, nesta terça-feira, aos 98 anos. Ela o entrevistou duas vezes.

Um mito que se apaga

Ana Clara Garmendia, de Paris, especial para o Portal Reinaldo Bessa

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O estilista Pierre Cardin, que faleceu nesta terça-feira, aos 98 anos. (Foto: Divulgação)

2020 não poderia fechar sem levar um dos grandes da moda. Morreu hoje aos 98 anos Pietro Costante Cardin, mundialmente conhecido como Pierre Cardin, um dos empresários oriundos da moda mais bem-sucedidos na França que era, na verdade, italiano.

Nascido na pequena Sant’Andrea di Barbarana, região veneziana, veio pequeno para a França e aqui trabalhou toda sua vida. Pierre Cardin fez tanta coisa durante sua carreira que mais fácil é saber o que não fez! Aos 14 anos já desenhava, ainda bem jovem fez figurinos para Jean Cocteau e Schiaparelli e vejam bem, se gabava de ter assessorado Christian Dior na criação do tailleur Bar, a sensação da moda pós-Segunda Guerra mundial mais conhecida como New Look.

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A jornalista Ana Clara Garmendia com o estilista Pierre Cardin em uma das vezes que o entrevistou. (Foto: Arquivo pessoal)

Encontrei Pierre duas vezes nos últimos anos. A primeira foi em uma viagem ao Sul da França, quando ele, já aos 94 anos, apresentou sua coleção, sempre futurista em umas de suas muitas propriedades, um castelo que teria sido do Marquês de Sade!

Cardin, ao lado de Courrèges e Paco Rabanne, foi o cara no prever o futuro na década de 50; Sempre achando uma bobabem muita frescura, ele gostava de trabalhar e o fazia todo santo dia, mesmo agora na velhice quando começou a cansar. Em 70 anos de carreira, contruiu uma verdadeira fortuna licenciando sua marca e provocando uma febre mundial de PC em gravatas, jeans, chaveiros. Ele contava que o chamavam de vulgar, mas ele gostava mesmo era de trabalhar e criar. E isso fez dele um criador, empresário, totalmente independente. Tudo de Cardin era dele.

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Pierre Cardin era um dos empresários oriundos da moda mais bem-sucedidos na França. (Foto: Divulgação)

Na década de 70, teve um romance com a atriz Jeanne Moreau, depois disso ele assumiu sua homossexualidade, mas manteve-se discreto sobre o assunto.

Cardin investiu também em uma rede de restaurantes badaladíssimo pelo jet-set internacional. O Maxim’s existe até hoje e vende desde louças para jantares até caixas de biscoitos. Apesar dos bilhões em imóveis e negócios, ele confessou que não gostava de badalação, curtia mesmo era se recolher cedo e descansar quando não estivesse trabalhando em um dos seus escritórios. O segredo de tanto pique? Uma vida saudável. “Nunca fumei, nunca bebi, nunca cometi excessos” contou numa conversa que tivemos em 2017 durante uma entrevista de duas horas que eu fiz para a revista Elle Brasil.

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Ao morrer hoje, Cardin deixa um legado gigantesco. Como poucos, não ligou para o luxo e dizem que por isso foi expulso da Câmara Francesa da Moda. Ele focou sempre na democratização do que fazia. Num mundo onde se precisa tanto de espírito comunitário o caminho de Cardin pode influenciar quem queira realmente criar algo novo hoje com base na simplicidade e no ver além, prever o futuro. Isso monsieur Cardin o fez como ninguém!

Descanse em paz meu caro!

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