Leonardo Macedo, o rei do pedaço

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Confira o perfil do curitibano Leonardo Macedo, fundador da doceria Nanica, especializada em tortas Banoffee, escrito pelo jornalista Reinaldo Bessa para a revista Pinó, da Gazeta do Povo.

Reinaldo Bessa

Curitibano de coração desde os primeiros meses de vida, Leonardo criou uma marca de sucesso que pegou os paulistanos pelo estômago. (Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo)

Leonardo Gustavo Freire de Macedo Bührer é um rapaz inquieto. Não é para menos. Para os que ainda não o conhecem, ele adoça a boca de muitos brasileiros todos os dias com as suas banoffees, as conhecidas tortas de banana e doce de leite vendidas aos borbotões nas oito lojas da rede Nanica, cinco delas fincadas em São Paulo feito um bandeirante moderno, uma em Campinas, uma no Rio de Janeiro e outra em Curitiba. Aos 31 anos, coleciona amizades poderosas, entre elas o presidenciável Luciano Huck, Angélica, Sasha e Xuxa Meneghel, Anitta, Caio Castro, o celebrado instagramer Hugo Gloss e Bruna Marquezine, para citar alguns, todos fãs de seus produtos – exceto Xuxa e a filha, ambas veganas. Para comprovar, saca o celular e mostra fotos dele com parte dessa turma no último réveillon no Rio de Janeiro. E ainda tem como sócio ninguém menos que Tiago Abravanel, o neto celebridade de Silvio Santos, e entrou para a cobiçada lista Under 30 da Forbes Brasil como exemplo de empreendedor jovem. Motivos para inquietação, portanto, não lhe faltam.

Paranaense de Foz do Iguaçu e curitibano desde os primeiros meses de vida, Leonardo criou uma marca de sucesso, da qual é o CEO, e se impôs na maior metrópole do país dois anos antes da pandemia dar o ar da desgraça. Pegou os paulistanos pelo estômago. No dia 29 de março de 2018, em homenagem ao aniversário de sua Curitiba quase natal, foi inaugurada a primeira Nanica, uma loja de cinco metros quadrados – daí o nome – numa viela nos fundos da Rua Augusta, nos Jardins. No primeiro dia, foram produzidas 80 fatias e vendidas apenas oito. Para não ter de jogar fora, começou a oferecer de graça o excedente a quem passava na frente da loja. A tacada revelou-se certeira. As sobras foram diminuindo na mesma proporção em que eram distribuídas.

Mas o moço falante e agitado já experimentou o fracasso também. Quando ainda morava aqui teve um bar em sociedade com seu pai, Fabiano, o Bendito Boteco, no Bigorrilho, que apesar do nome não teve as bênçãos do público e durou meros dois anos. Entre quitutes típicos da cidade, como carne de onça e sanduíche de pernil, servia uma vez por semana sua receita de banoffee. Era o dia de maior movimento na casa e não sobrava uma fatia pra contar história. Foi o estalo. Com a venda do bar no final de 2017, resolveu apostar no doce e passou a fazê-lo sob encomenda. Sim, como dono de bar ele mesmo punha a mão nas massas salgadas e doces por ser graduado em gastronomia por uma universidade de Curitiba.

Mas as portas da esperança lhe foram abertas quando o showman Tiago Abravanel veio fazer uma apresentação em Curitiba em um evento organizado pelo tio de Leonardo, Fabrício de Macedo, então presidente do Lide Paraná. “Leve uma torta para o Tiago”, sugeriu-lhe o tio. Dito e feito. À noite, após o show no Castelo do Batel, Tiago o recebeu no camarim e provou alguns pedaços com sofreguidão. A vida de Leonardo começaria a mudar a partir daquele encontro. Em outra ocasião que veio à cidade, Tiago o procurou para pedir a torta. Já amigos, o ator e cantor propôs que ele se mudasse para São Paulo com a promessa de ajudá-lo com seus contatos no meio artístico. “Não tinha ideia do que faria lá”, diz.

“Me tornei referência de empreendedorismo em São Paulo pela forma como usei o Instagram para promover meu produto”

Em março de 2018 ele desembarcou na capital paulista com R$ 7.500 no bolso. No começo teve a ajuda do amigo e chefe de cozinha Ravi Leite, outro curitibano já estabelecido por lá, que lhe emprestou seu espaço para fazer suas tortas banoffee. Em seguida, chamou seu amigo e ex-veterano na faculdade Tito Barcellos para juntar-se a ele. Nascia ali o Nanica, com cara de negócio grande. Começaram vendendo a banoffee 100% tradicional. Depois de alguns meses criaram a versão com Nutella e adaptaram a receita original com massas de brownie, chocolate preto e pé de moleque triturado (a brownoffee) e uma versão com chocolate branco, leite condensado, banana e chantilly.

A virada veio com um inesperado comentário de Bruna Marquezine em um post da Nanica: “Uma de cada por favor”, escreveu a atriz. Eles enviaram o pedido imediatamente e ela o postou nos stories. “De 13 mil seguidores pulamos para 20 mil em 24 horas. Foi um divisor de águas para nós”, conta enquanto mostra o número do celular da atriz cadastrado. “Me tornei referência de empreendedorismo em São Paulo pela forma como usei o Instagram para promover meu produto”, entrega.

Em novembro do mesmo ano – numa espécie de premonição da pandemia – foi criado o delivery. No terceiro mês a marca se tornou líder no segmento de doces no país no aplicativo Rappi. Enquanto via o faturamento crescer feito bolo de vovó, Leonardo foi investindo em novos pontos e estrutura, com a montagem de uma nova cozinha, bem maior. Ele não revela seu faturamento, mas dá uma pista: diz que produz mensalmente 130 mil fatias que custam, em média, R$ 15 cada uma. Com o sucesso nas redes sociais, foi procurado pelo programa Mais Você, da global Ana Maria Braga. Passou a receber convites para dar entrevistas sobre a Nanica para vários veículos de grande porte, como Estadão, Folha de São Paulo e Veja São Paulo.

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A amizade com Tiago Abravanel rendeu um convite para ele entrar na sociedade, formalizado em março de 2020. O ator topou na hora e fez questão de vir a Curitiba para a inauguração da única filial fora do eixo São PauloRio. Leonardo conta que teve de bater o pé para montar uma Nanica aqui, dizendo ser um sonho pessoal. A filial funciona na Rua Coronel Dulcídio, no Batel, em um charmoso jardim secreto. A loja curitibana, sob a administração de seu primo Brenno de Macedo, foi a sétima da rede e é a maior até agora. Tem 80 m² e 22 lugares contando com uma pequena extensão chamada de camarote. A oitava funciona desde o pandêmico dezembro de 2020 no Rio de Janeiro, na badalada rua Dias Ferreira no não menos badalado bairro do Leblon.

A entrada na lista da Forbes vem lhe rendendo convites para palestras e mentorias sobre empreendedorismo gastronômico por todo o país. Também encontra tempo para lecionar na escola online Conquer sobre nova economia. A pandemia não o intimida como empresário. No dia 29 de março (novamente em homenagem ao aniversário de Curitiba) estava prevista a inauguração da nona loja Nanica, no bairro do Brooklin, na capital paulista, dividindo espaço com a descolada hamburgueria Patties. Enquanto isso, ele prepara o processo de abertura de franquias, para o qual já tem mais de 300 interessados, segundo diz. Como se viu, por caminhos um tanto tortos Leonardo acertou a mão e hoje vê seu pequeno império de tortas crescer e se multiplicar. Bendita Banoffee.

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