Leonardo Macedo, o rei do pedaço

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp

Confira o perfil do curitibano Leonardo Macedo, fundador da doceria Nanica, especializada em tortas Banoffee, escrito pelo jornalista Reinaldo Bessa para a revista Pinó, da Gazeta do Povo.

Reinaldo Bessa

blank
Curitibano de coração desde os primeiros meses de vida, Leonardo criou uma marca de sucesso que pegou os paulistanos pelo estômago. (Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo)

Leonardo Gustavo Freire de Macedo Bührer é um rapaz inquieto. Não é para menos. Para os que ainda não o conhecem, ele adoça a boca de muitos brasileiros todos os dias com as suas banoffees, as conhecidas tortas de banana e doce de leite vendidas aos borbotões nas oito lojas da rede Nanica, cinco delas fincadas em São Paulo feito um bandeirante moderno, uma em Campinas, uma no Rio de Janeiro e outra em Curitiba. Aos 31 anos, coleciona amizades poderosas, entre elas o presidenciável Luciano Huck, Angélica, Sasha e Xuxa Meneghel, Anitta, Caio Castro, o celebrado instagramer Hugo Gloss e Bruna Marquezine, para citar alguns, todos fãs de seus produtos – exceto Xuxa e a filha, ambas veganas. Para comprovar, saca o celular e mostra fotos dele com parte dessa turma no último réveillon no Rio de Janeiro. E ainda tem como sócio ninguém menos que Tiago Abravanel, o neto celebridade de Silvio Santos, e entrou para a cobiçada lista Under 30 da Forbes Brasil como exemplo de empreendedor jovem. Motivos para inquietação, portanto, não lhe faltam.

Paranaense de Foz do Iguaçu e curitibano desde os primeiros meses de vida, Leonardo criou uma marca de sucesso, da qual é o CEO, e se impôs na maior metrópole do país dois anos antes da pandemia dar o ar da desgraça. Pegou os paulistanos pelo estômago. No dia 29 de março de 2018, em homenagem ao aniversário de sua Curitiba quase natal, foi inaugurada a primeira Nanica, uma loja de cinco metros quadrados – daí o nome – numa viela nos fundos da Rua Augusta, nos Jardins. No primeiro dia, foram produzidas 80 fatias e vendidas apenas oito. Para não ter de jogar fora, começou a oferecer de graça o excedente a quem passava na frente da loja. A tacada revelou-se certeira. As sobras foram diminuindo na mesma proporção em que eram distribuídas.

Mas o moço falante e agitado já experimentou o fracasso também. Quando ainda morava aqui teve um bar em sociedade com seu pai, Fabiano, o Bendito Boteco, no Bigorrilho, que apesar do nome não teve as bênçãos do público e durou meros dois anos. Entre quitutes típicos da cidade, como carne de onça e sanduíche de pernil, servia uma vez por semana sua receita de banoffee. Era o dia de maior movimento na casa e não sobrava uma fatia pra contar história. Foi o estalo. Com a venda do bar no final de 2017, resolveu apostar no doce e passou a fazê-lo sob encomenda. Sim, como dono de bar ele mesmo punha a mão nas massas salgadas e doces por ser graduado em gastronomia por uma universidade de Curitiba.

Mas as portas da esperança lhe foram abertas quando o showman Tiago Abravanel veio fazer uma apresentação em Curitiba em um evento organizado pelo tio de Leonardo, Fabrício de Macedo, então presidente do Lide Paraná. “Leve uma torta para o Tiago”, sugeriu-lhe o tio. Dito e feito. À noite, após o show no Castelo do Batel, Tiago o recebeu no camarim e provou alguns pedaços com sofreguidão. A vida de Leonardo começaria a mudar a partir daquele encontro. Em outra ocasião que veio à cidade, Tiago o procurou para pedir a torta. Já amigos, o ator e cantor propôs que ele se mudasse para São Paulo com a promessa de ajudá-lo com seus contatos no meio artístico. “Não tinha ideia do que faria lá”, diz.

“Me tornei referência de empreendedorismo em São Paulo pela forma como usei o Instagram para promover meu produto”

Em março de 2018 ele desembarcou na capital paulista com R$ 7.500 no bolso. No começo teve a ajuda do amigo e chefe de cozinha Ravi Leite, outro curitibano já estabelecido por lá, que lhe emprestou seu espaço para fazer suas tortas banoffee. Em seguida, chamou seu amigo e ex-veterano na faculdade Tito Barcellos para juntar-se a ele. Nascia ali o Nanica, com cara de negócio grande. Começaram vendendo a banoffee 100% tradicional. Depois de alguns meses criaram a versão com Nutella e adaptaram a receita original com massas de brownie, chocolate preto e pé de moleque triturado (a brownoffee) e uma versão com chocolate branco, leite condensado, banana e chantilly.

A virada veio com um inesperado comentário de Bruna Marquezine em um post da Nanica: “Uma de cada por favor”, escreveu a atriz. Eles enviaram o pedido imediatamente e ela o postou nos stories. “De 13 mil seguidores pulamos para 20 mil em 24 horas. Foi um divisor de águas para nós”, conta enquanto mostra o número do celular da atriz cadastrado. “Me tornei referência de empreendedorismo em São Paulo pela forma como usei o Instagram para promover meu produto”, entrega.

Em novembro do mesmo ano – numa espécie de premonição da pandemia – foi criado o delivery. No terceiro mês a marca se tornou líder no segmento de doces no país no aplicativo Rappi. Enquanto via o faturamento crescer feito bolo de vovó, Leonardo foi investindo em novos pontos e estrutura, com a montagem de uma nova cozinha, bem maior. Ele não revela seu faturamento, mas dá uma pista: diz que produz mensalmente 130 mil fatias que custam, em média, R$ 15 cada uma. Com o sucesso nas redes sociais, foi procurado pelo programa Mais Você, da global Ana Maria Braga. Passou a receber convites para dar entrevistas sobre a Nanica para vários veículos de grande porte, como Estadão, Folha de São Paulo e Veja São Paulo.

LEIA TAMBÉM:

A amizade com Tiago Abravanel rendeu um convite para ele entrar na sociedade, formalizado em março de 2020. O ator topou na hora e fez questão de vir a Curitiba para a inauguração da única filial fora do eixo São PauloRio. Leonardo conta que teve de bater o pé para montar uma Nanica aqui, dizendo ser um sonho pessoal. A filial funciona na Rua Coronel Dulcídio, no Batel, em um charmoso jardim secreto. A loja curitibana, sob a administração de seu primo Brenno de Macedo, foi a sétima da rede e é a maior até agora. Tem 80 m² e 22 lugares contando com uma pequena extensão chamada de camarote. A oitava funciona desde o pandêmico dezembro de 2020 no Rio de Janeiro, na badalada rua Dias Ferreira no não menos badalado bairro do Leblon.

A entrada na lista da Forbes vem lhe rendendo convites para palestras e mentorias sobre empreendedorismo gastronômico por todo o país. Também encontra tempo para lecionar na escola online Conquer sobre nova economia. A pandemia não o intimida como empresário. No dia 29 de março (novamente em homenagem ao aniversário de Curitiba) estava prevista a inauguração da nona loja Nanica, no bairro do Brooklin, na capital paulista, dividindo espaço com a descolada hamburgueria Patties. Enquanto isso, ele prepara o processo de abertura de franquias, para o qual já tem mais de 300 interessados, segundo diz. Como se viu, por caminhos um tanto tortos Leonardo acertou a mão e hoje vê seu pequeno império de tortas crescer e se multiplicar. Bendita Banoffee.

Siga-nos no Instagram para ficar sempre por dentro das notícias:

Veja Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

X