Memorial em homenagem a João Turin será inaugurado oficialmente nesta sexta-feira no Parque São Lourenço

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp

Da Redação

O local conta com quase 100 obras do artista e está localizado num dos cartões postais de Curitiba. (Foto: Maringas Maciel)

Será inaugurado oficialmente nesta sexta-feira (14) o Memorial Paranista João Turin, no Parque São Lourenço. O espaço, de mais de 8 mil m², leva o nome do artista paranaense (1878-1949) e também o do movimento artístico do qual foi um dos principais expoentes. O local conta com quase 100 obras do artista e está localizado num dos cartões postais de Curitiba. A inauguração será feita pelo prefeito Rafael Greca, idealizador do projeto, às 17h. O Memorial conta com obras reunidas em uma exposição permanente, rica em informações sobre Turin, que se destacou principalmente como escultor, criando esculturas e baixos relevos sobre animais selvagens, povos indígenas e reproduções de momentos históricos.

O artista João Turin é um dos principais expoentes do Movimento Paranista. (Foto: Maringas Maciel)

Na parte externa, foi construído um jardim com 15 esculturas de bronze ampliadas. Duas delas ganharam proporções heroicas, como a “Marumbi”, com quase 3 metros de altura e 700 quilos. Esta escultura representa com realismo a luta de duas onças e mostra porque Turin também é lembrado como um dos mais importantes escultores animalistas do Brasil. Outro destaque é uma Pietá em baixo relevo, emprestada pela família Lago, detentora dos direitos autorais de João Turin. Feita em 1917 para a Igreja de Saint Martin, em Condé-sur-Noireau, a o primeiro exemplar está na França.

A iniciativa do Memorial Paranista, que tem coordenação geral da prefeitura de Curitiba, reuniu quase 100 obras de Turin graças a uma junção de esforços. Das 15 esculturas ampliadas, 12 foram compradas pelo município e as outras três foram doadas pela Copel por meio da Lei Rouanet. Outras 78 esculturas em tamanho original foram doadas pela família Lago ao governo do estado, que as emprestou à prefeitura em regime de comodato.

A família também doou uma fundição elétrica e moderna ao memorial, substituindo uma antiga fundição existente no local, que estava obsoleta. “Isso vai propiciar aos novos artistas meios para fundir suas peças, estimulando e ajudando o desenvolvimento da arte escultórica paranaense. Acreditamos que seria o que João Turin gostaria de ver, pois ele mesmo teve imensa dificuldade em fundir suas peças à sua época, deixando muitas obras inéditas”, comenta Samuel Lago.

O Memorial Paranista João Turin foi projetado pelo arquiteto Guilherme Klock, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).

Em quase 50 anos de carreira, João Turin deixou mais de 400 obras, inspirando o Paranismo. Foto: Maringas Maciel)

Paranismo

João Turin é um dos principais expoentes do Movimento Paranista, que buscava construir a identidade regional do Paraná por meio da arte e de símbolos locais, como o pinheiro, pinhões e a erva-mate, representados na arquitetura, pintura, escultura e grafismos. “O Paranismo foi o resultado de um longo processo de formulação de uma autoimagem do Paraná, em contraposição às outras regiões do país, que tinham seus próprios movimentos artísticos locais. O Paranismo ajudou a compor o mosaico das várias manifestações artísticas que se desenvolviam no Brasil”, comenta Lago.

No processo de formação do Paranismo, desempenharam um papel fundamental intelectuais, literatos e artistas plásticos, que se tornaram os principais “arquitetos” de uma identidade local. “A arte de João Turin corre nas veias de todos que aqui vivem e amam esta terra. O paranaense se vê pelos olhos de Turin, que inspirado por nossa fauna e flora, elevou a observação da natureza em identidade e sentimento de pertencimento”, afirma Samuel Lago.

Em quase 50 anos de carreira, João Turin deixou mais de 400 obras. Além de municípios paranaenses, suas esculturas estão em locais públicos no Rio de Janeiro e na França. Turin também está no acervo de arte do Vaticano. A escultura “Frade Lendo” foi entregue como presente do povo brasileiro ao Papa Francisco, em 2013, na primeira visita do pontífice ao Brasil.

Nascido em 1878 em Morretes, no Litoral do Paraná, João Turin veio ainda garoto para Curitiba, iniciando seus estudos em artes, chegando a ser professor. Especializou-se em escultura na Bélgica. Retornou ao Brasil em 1922, trazendo comentários elogiosos da imprensa francesa. Foi premiado no salão de Belas Artes do Rio de Janeiro em 1944 e 1947. O artista morreu em 1949.

Em junho de 2014, seu legado foi prestigiado pelas 266 mil pessoas que visitaram a exposição “João Turin – Vida, Obra, Arte”, a mais visitada da história do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, que ficou em cartaz por oito meses. A mostra também teve uma versão condensada, exibida em 2015 no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e na Pinacoteca de São Paulo.

LEIA TAMBÉM:

Siga-nos no Instagram para ficar sempre por dentro das notícias:


Veja Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

X