Milagre no Norte da África ensejou surgimento da Padroeira de Curitiba

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no email
Compartilhar no whatsapp

Da Redação

Curitiba vem de “Core-tuba”, que quer dizer “muito pinhão”. (Foto: Daniel Castellano/SMCS)

De acordo com relato da Cúria Metropolitana, a origem do título de padroeira de Curitiba dado a Nossa Senhora da Luz remonta ao século XV quando o humilde português Pero Martins, de Carnide (hoje distrito de Lisboa), foi levado como prisioneiro pelos árabes muçulmanos para o Magreb (norte da África). Em seu cativeiro, todas as noites rezava incessantemente à Santíssima Virgem Maria, pedindo que o livrasse da prisão. Atendendo a seu pedido, Maria apareceu-lhe em sonho por trinta noites consecutivas, prometendo a seu filho que o livraria da prisão no final destas trinta noites.
 
E assim foi feito: Pero Martins, na manhã do 31° dia encontrava-se em sua cidade natal, e foi cumprir o que lhe havia mandado a Santa Maria, de buscar uma milagrosa imagem sua junto à Fonte do Machado, onde muitos curiosos já viam, há cerca de um mês, uma misteriosa luz vir dali.
 
Pero Martins recolheu a imagem e colocou-a à veneração dos fiéis, onde foi construída uma igreja, incrementada artisticamente graças ao mecenato da princesa Dona Maria, filha do rei Dom Manuel I.

A devoção em Curitiba

A Lenda da Fundação de Curitiba conta que a imagem da Nossa Senhora da Luz todos os dias amanhecia virada para onde hoje é a Praça Tiradentes. (Foto: Divulgação/Arquidiocese de Curitiba)

Ainda segundo a Cúria Metropolitana, a escolha de Nossa Senhora da Luz como padroeira de Curitiba foi dos primeiros povoadores, especialmente do paulista Suares do Vale, fugitivo de São Paulo, que deu nos “campos de Curityba” e depois de mandar trazer sua família, que veio acompanhada de outras grandes famílias, foi morar às margens do Rio Atuba (atual Parque Histórico de Curitiba). Junto do Atuba surgiu a Lenda da Fundação de Curitiba, que conta que a imagem da santa todos os dias amanhecia virada para onde hoje é a Praça Tiradentes.

Os povoadores decidiram então se mudar para a região, pedindo ao Cacique dos Campos de Tindiquera que lhe indicasse o local adequado. O cacique, então, fincou uma grande vara no chão, exclamando “Core-tuba” (“muito pinhão”), e ali os povoadores se assentaram, onde hoje é o marco-zero da cidade, construindo uma pequena capela dedicada à Virgem da Luz dos Pinhais por volta de 1654.

Com as bençãos de São João Paulo II

O patrocínio exclusivo de Nossa Senhora da Luz ‘dos Pinhais’ para Curitiba advém da denominação da terra, cheia de pinhão, uma floresta de pinheirais. A devoção particular foi reconhecida pela Santa Sé apenas em 1995, com decreto do então papa João Paulo II (hoje santo), que a declarou padroeira municipal de Curitiba. A capital paranaense é uma das poucas cidades do país cuja padroeira é declarada pelo Sumo Pontífice, que visitara a cidade 15 anos antes.

Desde os primórdios da colonização portuguesa na região de Curitiba, quando Ébano Pereira mandou uma expedição subir a Serra do Mar a partir de Paranaguá em busca do ouro de aluvião, os primeiros povoadores tinham especial devoção por Nossa Senhora da Luz. A primeira imagem, portuguesa, feita em terracota, foi trazida pelos colonizadores na primeira metade do século XVII. Ocupou o trono na antiga capelinha e hoje é parte do acervo do Museu Paranaense.

A segunda imagem, de madeira com pintura policromada, também portuguesa, foi trazida em 1716, quando aproximava-se a inauguração da Antiga Matriz (1720), edificada no terreno onde hoje é a Catedral Basílica. Perdida no início do século passado e reencontrada na Lapa na década de 1970 na casa de uma moradora, hoje é parte do acervo do Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba.

A terceira e atual imagem, que ocupa o trono central no Altar-mor da Catedral Basílica, foi feita em Portugal no início da segunda metade do século XIX. Em madeira de pinho de riga, é de qualidade e beleza artística singular. Possui ganchos nas orelhas e furos nos pulsos, para que, próximo de sua festa, 8 de setembro, as damas piedosas adornassem a imagem com suas preciosas jóias pessoais.

A data exata da chegada da imagem em Curitiba não é precisa, contudo, sabe-se que em 1889, nos estandartes da Festa da Padroeira já era utilizada a atual imagem, tida como fac-símile da original do milagre português do século XV, um pouco maior.

LEIA TAMBÉM:

Em 10 de setembro de 1974, a imagem foi derrubada de seu trono no Altar Mor por um atentado. Quebrada e seriamente comprometida, foi recolhida e levada para restauração. Recortes jornalísticos da época levam a presumir que, durante esse processo de restauração, que durou cerca de um ano, a pintura original foi substituída pela atual. A antiga pintura trazia a Senhora da Luz vestida de túnica bege, com manto azul e forro róseo. Por toda pintura vislumbravam-se se preciosos detalhes dourados, provavelmente em técnica que utiliza folha de ouro. Quando da entrega dos trabalhos de restauração da imagem em 8 de setembro de 1975, esta já apresentava a atual configuração.

Na madrugada de 13 de fevereiro de 1984, a imagem do Menino Jesus trazida nos braços pela Senhora da Luz foi roubada e até hoje não foi encontrada, juntamente com duas coroas de prata que adornavam a imagem e uma cruz, igualmente em prata, para procissões. Na Noite de Natal de 1984, uma nova imagem substituiu a anterior, feita de resina e doada pelos festeiros da Igreja da Ordem, a partir de um molde disponibilizado pelo Museu do Louvre, de Paris.

Siga-nos no Instagram para ficar sempre por dentro das notícias:

Veja Também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

X