Mulheres na linha de frente da pandemia: elas comandam pesquisas, projetos e setores da saúde

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Da Redação

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Elaine Costa (à esq), Anna Flávia Miggiolaro, Cristina Baena e Nilza Maria Brenny são algumas das mulheres que estão na linha de frente do combate à pandemia do coronavírus nos hospitais Marcelino Champagnat e Cajuru. (Fotos: Divulgação)

As mulheres são maioria na linha de frente do combate à pandemia do coronavírus. No Instituto Butantan, um dos principais do país e responsável pela produção da Coronavac, 71% dos pesquisadores são mulheres. Essa proporção se repete em muitos centros de pesquisas espalhados pelo país. Em Curitiba, os estudos sobre a Covid-19 realizados pelo Centro de Estudo, Pesquisa e Inovação (CEPI) dos hospitais Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru também são coordenados por mulheres.

À frente das pesquisas dos hospitais e da PUCPR, que são dedicadas a compreender o comportamento do novo coronavírus a partir dos dados coletados de pacientes internados, está a fisioterapeuta e doutora em Ciências da Saúde, Cristina Baena. “Nós conseguimos uma integração muito rápida quando iniciamos as pesquisas. Realizamos conexão com laboratórios de várias universidades e também do exterior. Entender essa nova doença e suas extensões tem nos ajudado a prestar o atendimento mais eficiente à população”, afirma.

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A cirurgiã e coordenadora do CEPI, Anna Flávia Miggiolaro, iniciou as pesquisas realizando biópsias microinvasivas de pulmão e coração de pacientes que faleceram e que os familiares permitiram o estudo. “As pesquisas continuam agora com uma relevância tão grande quanto no início da pandemia. Acredito que ainda vamos conviver com a doença por um bom tempo, até ter o acesso à cura e ao manejo adequado. Fazer parte disso é relevante para minha vida profissional, como médica, e também para a pessoal. Essas oportunidades me fizeram valorizar ainda mais o ser humano”, ressalta a médica.

Assistência

Em número absolutos, o número de mulheres que atuam nos dois hospitais também é muito superior ao de homens. No Marcelino Champagnat, 86% dos profissionais são mulheres e no Cajuru, o número é bastante semelhante, apenas 16% do quadro de colaboradores são do sexo masculino. “Tradicionalmente a área assistencial de enfermagem e técnicos é composta por mais mulheres. Mas notamos que esse número cresce também na área médica e de outras especialidades”, conta a gerente assistencial do Hospital Marcelino Champagnat, Joshy Lopes.

Foram principalmente elas que estiveram à frente dos atendimentos a pacientes na pandemia, nas mais variadas especialidades. Seja nas áreas dedicadas a pessoas com Covid-19 ou nas de trauma.

Voluntariado

O profissionalismo, a solidariedade e o comprometimento das mulheres também estão presentes no voluntariado dos hospitais. Com participação nos grupos de palhaços, apresentações musicais e confecção de máscaras e bonecas de pano, as mulheres representam mais de 70% dos voluntários do Hospital Universitário Cajuru. A coordenadora do voluntariado, Nilza Maria Brenny, afirma que essa é uma missão única e de extrema importância para os pacientes. “Ter um voluntário para conversar, dar atenção e fazer rir, é um diferencial na recuperação deles. Com a pandemia, as visitas ficaram mais restritas e eles precisam desse contato, nem que seja à distância, por meio de um robô que leva os voluntários aos pacientes em um tablet”, afirma.

Apesar das dificuldades para manter o trabalho voluntário durante a pandemia, Nilza afirma que houve um maior interesse por parte das mulheres para ajudar e apoiar o hospital. “Com a necessidade de usar máscaras somada à falta de recursos, muitas costureiras se disponibilizaram para confeccionar os produtos de forma voluntária e em casa. O hospital doava o material e elas produziam. Foram mais de 76 mil máscaras distribuídas para pacientes e colaboradores do Hospital Cajuru. A união à distância foi tanta, que criamos um novo grupo dentro do voluntariado: Mãos que Transformam, composto majoritariamente por mulheres”, finaliza.

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