Pesquisa paranaense sobre curativo para queimaduras feito de pinus ganha prêmio internacional

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Da Redação

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Um curativo feito com nanocelulose de pinus usado para o tratamento de queimaduras recebeu prêmio internacional. (Foto: Katia Pichelli/ Embrapa Florestas)

Um trabalho que começou no mestrado de Francine Ceccon Claro, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais da UFPR em parceria com o Laboratório de Tecnologia da Madeira da Embrapa Florestas, acaba de ser internacionalmente premiado: um curativo feito com nanocelulose de pinus usado para o tratamento de queimaduras. O projeto recebeu o prêmio internacional Blue Sky Young Researchers and Innovation, organizado pelo International Council of Forest & Paper Associations (ICFPA). O prêmio seleciona jovens e projetos inovadores com potencial de contribuir com a indústria florestal.

O curativo tem baixo custo de produção. É feito a partir de água e da polpa branqueada de pinus, que é a mesma matéria-prima usada na produção de papel comum. A polpa é colocada em um moinho, onde ocorre a desfibrilação e na sequência a suspensão de nanocelulose. A suspensão é filtrada e seca e depois o filme está pronto.

A pesquisa desenvolveu uma alternativa para os curativos de celulose bacteriana usados no tratamento de queimaduras e feridas na pele, que têm alto custo. O preço do quilo da celulose bacteriana é de 250 dólares e o da nanocelulose vegetal é de 2 dólares para o mesmo peso. O objetivo é que o curativo possa ser usado no Sistema Único de Saúde e beneficiar pacientes em todo o Brasil. 

De acordo com Francine, enquanto a medicina privada, acessível às classes média e alta, utiliza este tratamento, o sistema público limita o método apenas para casos graves e em áreas mais visíveis como rosto e pescoço. “Com isso em mente, o objetivo foi desenvolver um processo barato para produção de um curativo de nanocelulose vegetal semelhante aos curativos comerciais provenientes de celulose bacteriana”, completa.

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As primeiras etapas do desenvolvimento do curativo foram desenvolvidas durante o mestrado da Francine, que foi finalizado em 2017. Depois o projeto seguiu para escala industrial por meio de uma parceria com o instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e com uma startup. “O produto passou por todo o processo de inovação e contou com rigor científico no desenvolvimento. Avançou até a fase de prova de conceito, depois com o envolvimento do curso de medicina veterinária da Faculdade Evangélica foi aprimorado, atingindo um nível de protótipo e agora com o desenvolvimento juntamente com a Zynux (startup da área de pesquisa e inovação) atinge uma escala pré-comercial”, explica Francine.

Os testes em escala piloto já foram realizados e o próximo passo são os testes clínicos. A expectativa é que em três anos o curativo possa estar pronto para o uso em pacientes. “Estamos buscando parceiros para investimento na produção em escala comercial. Espero que possamos ver este projeto se concretizar e que esta membrana possa trazer melhores condições de tratamento as pessoas em qualquer parte do mundo”, finaliza.

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