Restaurante Al Sababa, um pedacinho da Síria no coração de Curitiba

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Reinaldo Bessa

A Salada Fatouche, um dos pratos servidos pelo Al Sababa

Um pequeno sino junto ao portão, que deve ser tocado para que alguém o abra, geralmente o proprietário, o sírio Issam Helou. Assim começa a saborosa experiência gastronômica no restaurante Al Sababa, localizado numa charmosa casa da Alameda Júlia da Costa, no São Francisco. A década de 1990 apenas começava quando Issam saiu de Homs, terceira maior cidade da Síria, para se estabelecer em Curitiba. Sua vinda para o Brasil nada teve a ver com guerras ou com as intrincadas questões políticas do Oriente Médio. Alguns parentes já viviam aqui. Superados os desafios iniciais de aprender uma nova língua e conhecer a cidade, Helou criou laços por aqui, casou-se com uma brasileira e teve dois filhos nascidos em Curitiba.

A gastronomia sempre o interessou. Desde a adolescência preparava as receitas da família. “Amo cozinhar”, diz em bom português, com um leve sotaque. O Al Sababa (coração que aquece em árabe) nasceu dessa paixão, há cinco anos. A localização foi escolhida a dedo por ele. Não por acaso fica a meia quadra da mesquita do São Francisco. A decisão de abrir o restaurante veio depois de 15 anos dedicando-se ao mundo corporativo como executivo. Apresentou sua culinária em empresas e eventos da cidade antes de estabelecer-se como restaurateur.

O restaurateur sírio Issam Helou, proprietário do Al Sababa

Os pratos da casa, que eu experimentei a convite de Issam, são elaborados a partir das receitas mantidas em família há gerações, aprendidas com sua avó e sua mãe, e compõem um resumo da culinária síria tradicional. “Meu objetivo é que as pessoas conheçam o verdadeiro sabor da culinária síria tradicional, nem tenho interesse em modernizar”, afirma, convicto. O espaço é pequeno e acolhedor, são apenas 40 lugares, com muito verde em volta e obras de arte pintadas pelo próprio Issam espalhadas pelas paredes azuis, além de esculturas e plantas.

O cardápio, enxuto, inclui coalhada seca, de textura aveludada; o quibe, que resgata a tradição por incluir o sofisticado pinoli; o crocante falafel; o defumado babaganoush; a cobiçada salada fatouche da casa; bebidas cítricas e o quibe cru adornado com hortelã cultivado no quintal do próprio restaurante, além de muitos outros pratos de extremo sabor. A casa não serve vinhos, mas o cliente pode levá-los sem cobrança de rolha. Entre as bebidas também há a opção de cervejas.

As receitas dos pratos do Al Sababa são todas da família do restaurateur.

Clientela ecumênica

Ao contrário do que se imagina, a clientela do Al Sababa é ecumênica, não se restringindo a membros da imensa colônia árabe local. Integrantes de outras etnias – da comunidade judaica, inclusive – costumam frequentá-lo para alegria de Issam, que sabe exercer com maestria uma das características de seu povo: a receptividade. “A minha relação com meus clientes é ótima. Uma relação baseada na amizade, respeito e carinho. Sinto a satisfação em ver a clientela feliz à minha volta”, diz Helou. Toque o sino e prepare-se para o deleite.

Uma das receitas de quibe inclui o pinoli, semente de origem mediterrânea (Fotos: Divulgação)

Serviço


Restaurante Al Sababa
Alameda Júlia da Costa, 234 – São Francisco / Telefone: (41) 3042-0001. Abre das 17h às 23h de terça-feira a sábado e das 11h30 às 15h aos domingos.

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