Série sobre Caso Evandro estreia na Globoplay; produção paranaense mostra versão das acusadas

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Simone Giacometti

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A série documenal é o destaque da Globloplay na categoria “Novidades” nesta quinta-feira (13). (Foto: Divulgação Globoplay)

Já está disponível desde a madrugada desta quinta-feira (13), na plataforma digital de streaming Globoplay, a série “Caso Evandro”. Nesta primeira semana foram disponibilizados os dois primeiros episódios. O conteúdo é exclusivo para assinantes e está na categoria Documentário.

Conforme já havia sido noticiado pelo portal, a produção tem como base o chamado “Caso Guaratuba”, como ficou conhecido o assassinato do menino Evandro Ramos Caetano em um suposto ritual de magia negra, em abril de 1992, no Litoral do Paraná. A série documental foi produzida com base em novos fatos narrados por Celina Cordeiro Abagge e sua filha Beatriz Cordeiro Abagge, as principais acusadas do crime.

Na época, elas ficaram conhecidas como “as bruxas de Guaratuba”. Em entrevista exclusiva ao portal, em março, Celina, hoje com 82 anos, e Beatriz, de 57, falaram sobre o livro lançado por elas, chamado “Malleus – Relatos de injustiça, tortura e erro judiciário”. Passados 30 anos, os escritos trazem fatos inéditos desconhecidos do grande público, incluindo detalhes sobre a tortura que mãe e filha sofreram para confessar o crime.

Sobre a série

Os responsáveis pela produção da série da Globoplay são Michelle Chevrand (co-diretora) e Aly Muritiba (diretor). O documentarista Aly Muritiba se interessou pelo trabalho assim que ouviu os primeiros episódios do podcast criado pelo jornalista e historiador paranaense Ivan Mizanzuk, que mostrou o ‘Caso Evandro’ na quarta temporada do Projeto Humanos, que serviu de base para o roteiro, com oito episódios.

Aly mora há 15 anos em Curitiba e nesta quinta-feira falou ao portal sobre o formato da série lançada pela Globoplay. “A recepção de estreia desses dois primeiros episódios está sendo muito favorável, principalmente no twitter. É um trabalho bastante intenso e eu, particularmante, gosto muito desse tipo de material. As pessoas esperam por um novo conteúdo toda semana, aguardam a estreia de novos capítulos e esse modelo, com episódios de 45 minutos, é bem interessante”, falou.

Ao ser questionado sobre o tema da série, o cineasta explicou que a produção foi realizada com muito profissionalismo. “A gente tinha muito material e um caso gigantesco nas mãos, de quase 30 anos. É um desafio contar uma história tão densa como essa, cheia de detalhes e aprofundar as informações para que o espectador não perca a linha narrativa. Essa série é, principalmente, um trabalho técnico-jornalístico de conteúdo muito ético e sério”, pontuou.

Aly Muritiba, participa de vários projetos para outras plataformas de conteúdo e falou sobre o mercado de trabalho na capital. “É muito difícil trabalhar nesse meio, pois há pouco investimento no setor cultural. Essa série da Globoplay foi produzida com apoio financeiro que veio de fora e eu consegui chamar muita gente de fora para trabalhar aqui em Curitiba porque o caso aconteceu no Paraná”, contou.

Aly tem vários curta-metragens e filmes na carreira. Em 2015 lançou Para Minha Amada Morta, filme vencedor em sete prêmios, incluindo o Festival de Brasília, de Montreal (Canadá) e San Sebastian (Espanha). Mas ao ser questionado sobre as expectativas neste sentido, Aly foi modesto e ponderou: “Não espero nenhum prêmio por este trabalho. Eu acho que as pessoas assistindo já é um grande reconhecimento”.

Família Abagge

No apartamento de Celina Abagge, no Bigorrilho, o dia foi de expectativa. A estreia da série causou ansiedade em toda a família, principalmente nela. “Eu fiquei revivendo os fatos. Entre as imagens que aparecem nesses dois primeiros episódios, eu reconheci o homem que nos torturou, sentado em uma cadeira, conversando com um cidadão. Eu o vi e me senti mal, mesmo tendo se passado todos esses anos. Só de lembrar de tudo que aconteceu, dos abusos que sofremos, meu coração ficou acelerado e tive que dar uma pausa. Parece que eu revivi o dia que fomos torturadas para confessar um crime que não cometemos”, disse na entrevista por telefone que concedeu ao portal.

Na época dos fatos Celina era esposa do então prefeito de Guaratuba, Aldo Abagge. Segundo ela, os dois primeiros episódios da série são muito pesados para a família, pois relembram como tudo começou.

“Eu espero ter estrutura para assistir todos os episódios. Esses dois primeiros são muito emocionantes, particularmente para mim porque me fazem lembrar de como eles tiraram eu e a Beatriz (filha dela) de casa, nos torturaram para confessar e nos levaram para o fórum, onde toda aquela gente nos esperava”, lembra ela. E fala que se as pessoas prestarem bastante atenção nas imagens, verão que o rosto de Beatriz está marcado, que ela está com o olho machucado por causa da tortura sofrida.

Celina Abagge diz que está preparada para a reação do público. “A gente já passou por tanta coisa na nossa vida que hoje enfrentamos isso de cabeça erguida. Não temos nada a ver com a morte dessa criança, nós não tivemos a chance de nos defender na época contra as acusações de uma pessoa doente, que inventou toda essa história comprada pela imprensa. O Ministério Público aceitou a denúncia, mesmo sem provas concretas”, afirmou.

“Se nós conseguimos sobreviver a tudo isso, então vamos conseguir assistir essa série e ver nossa história contada do ponto de vista da verdade. Fomos torturadas para confessar e temos provas disso”, finaliza.

Celina e Beatriz Abagge revelam, inclusive, os nomes dos torturadores no livro que lançaram recentemente. O nome, “Malleus – Relatos de injustiça, tortura e erro judiciário”. da editora Brazil Publising, de Curitiba, é uma referência à palavra latina que remete a um manual de tortura da Idade Média, Malleus Maleficarum, método usado para torturar bruxas.

Reveja a entrevista exclusiva que Celina e Beatriz Abagge deram ao jornalista Reinaldo Bessa em março.

Celilna Abagge durante a entrevista dada ao portal. (Crédito: Portal Reinaldo Bessa)

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